DRIS – Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação

INTRODUÇÃO

A análise química de folhas é reconhecidamente uma ferramenta de grande importância no conhecimento do estado nutricional de plantas. No entanto, o seu uso em nosso país tem-se restringido a algumas espécies perenes ou então em situações de campo onde ocorram situações de síndromes desconhecidas, onde pode ser feita a comparação de plantas problemas com plantas sadias. Em muitos casos têm-se resultados positivos desta prática.

Um dos maiores entraves à maior utilização da análise química de folhas é a falta de um método capaz de proporcionar diagnósticos eficientes. O termo “diagnóstico eficiente” diz respeito à forma prática de se tirar conclusões verdadeiras de condições nutricionais e também os tratamentos curativos das mesmas, prioritariamente no mesmo ano agrícola. No entanto, estes aspectos não têm sido observados quando se utiliza o método tradicional de interpretação ou método do nível crítico. Frequentemente, estes métodos baseiam-se em concentrações de nutrientes obtidas em épocas pré-determinadas, em estados fisiológicos definidos, sendo muitas vezes difícil de interpretar os seus resultados para o mesmo ano agrícola e realizar o tratamento necessário.

Uma forma de sobrepor estes problemas tem sido através do uso de relações binárias entre os nutrientes, minimizando assim alguns dos efeitos observados pela influência de muitos fatores ambientais e genéticos na composição mineral. Tal forma de manipulação dos dados proporciona ações terapêuticas no mesmo ano agrícola e pode-se considerá-la como evolução na nutrição mineral de plantas, uma vez que poderemos coletar amostras em estágios diferentes de crescimento da cultura.

Muitos trabalhos tem evidenciado a superioridade do uso de relações nutricionais em relação ao uso de elementos isolados na interpretação da análise de folhas e no diagnóstico nutricional.

O DRIS (Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação) desenvolvido a partir de 1956, por Beaufils, representa atualmente o desenvolvimento máximo da técnica de diagnose foliar, nos moldes que se tem apregoado em situações de rotina nas condições de campo. Este método utiliza-se de relações nutricionais, considera o balanço nutricional e permite uma classificação clara de elementos em situação de deficiência e/ou excesso. Até o momento, a maior dificuldade na utilização do método DRIS era devida ao grande número de cálculos matemáticos necessários. Atualmente, esta dificuldade é facilmente contornada devido a maior facilidade no acesso à informática. Atualmente, este método tem sido utilizado em muitas regiões do mundo, podendo-se ressaltar o seu uso em culturas anuais (soja, milho, trigo, sorgo, etc…), bianuais (cana-de-açúcar, mamão, abacaxi, banana, pastagens, etc…) e perenes (maçã, eucalipto, uva, macadâmia, citros, café, etc…). Os resultados mostram-se promissores e o uso desta técnica tende a aumentar.

No Brasil, tem-se estudado o método, porém, inicialmente esbarrou-se na multiplicidade de cálculos necessários, o que fez com que houvesse uma paralisação em seu uso. Atualmente, com o avanço da informática, tem-se notícias promissoras de seu uso em limão, eucalipto, algodão, mamão, uva, entre outras. O objetivo deste projeto é o de expor-lhe as vantagens de um método atual, eficiente e prático para operações de campo, com a finalidade de se conhecer o estado nutricional da cana-de-açúcar, destacando-se os principais passos para a sua implementação.

II. MATERIAL

O presente projeto será baseado na exploração de dados originados em condições de campo, onde deve-se nesta fase, preferencialmente trabalhar com grande rigor e atenção na obtenção de dados que irão originar as normas do DRIS, de onde serão retiradas as suas médias, desvio padrão e a eleição de uma população de referência. Dessa forma, nesta fase deve-se buscar:

  1. padronização das amostras;
  2. idoneidade dos dados;
  3. representatividade dos dados.

III. ESTABELECENDO AS NORMAS

A criação dos padrões para diagnóstico, está ligada à taxa de acúmulo de nutrientes (sn) e a taxa de acúmulo de fitomassa (sf), pois, ambos os parâmetros refletem os 52 fatores que influenciam na produção. Exemplo: Equilibrio Fisiológico Na prática, o trabalho inicia-se com a diagnose foliar dos talhões em diagnóstico, para obtenção da variável (sn). O próximo passo é avaliar o parâmetro quantitativo da cultura (sf), que para o caso da cana-de-açúcar poderá ser o TPH (toneladas de Pol por hectare). Ressalta-se que, como é uma avaliação, há necessidade de que se tenha variabilidade, assim, deverão ser amostradas áreas com diferentes condições produtivas. Quanto maior for o universo de amostras, mais preciso se torna o diagnóstico, no entanto, para fins do estudo proposto, um mínimo de 200 amostras seriam suficientes para calibração das normas.

IV. MÉTODOS

O método exige milhares de informações para a implementação das normas. No entanto, a sua concepção original era de que estas normas ou padrões poderiam ser extrapolados para regiões geograficamente diferentes, ou seja, seriam normas universais. Atualmente, observou-se que normas desenvolvidas para micro-regiões, cujas condições são semelhantes, seriam mais interessantes que as normas universais, e dessa forma poderíamos trabalhar com menor número de dados, desde que existam dados de plantas com produção elevadas. Neste sentido, tem-se trabalhos apresentando excelentes resultados quando as normas foram obtidas de um banco de dados pequeno, mas que contenha produções extremamente elevadas.

V. IMPLEMENTAÇÃO DO MÉTODO DRIS

A seguir serão relatadas as informações e quantidades de dados necessários para o início do trabalho:

  1. Independentemente da cultura, 200 análises de folhas, criteriosamente coletadas e analisadas, apresentando em conjunto os dados da produção obtida nos talhões selecionados. Estes dados podem demorar em função do espaço existente entre a coleta de folhas e a quantificação da produção (principalmente para culturas perenes).
  2. É necessário também a existência de glebas com produção baixa;
  3. Se for possível maior número de amostras, melhor;
  4. O trabalho deverá se estender por 3 anos para a checagem das variações anuais, tanto na composição mineral das folhas, como na produção;
  5. No primeiro ano, após a quantificação da produção já será possível utilizarmos o DRIS, preliminarmente, com o propósito de diagnose nutricional.

VI. INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

De acordo com a teoria, valores negativos indicam deficiências relativas e valores positivos indicam excessos nutricionais relativos. Nutrição adequada é representada por valores próximos de zero, ou menores que o valor do índice da matéria seca (Ims). A somatória dos valores absolutos de todos os índices deveria ser zero (o que indicaria uma nutrição equilibrada). Esta somatória é representada pela sigla IBN (Índice de Balanço Nutricional), e quanto maior for o seu valor, maior será o desequilíbrio nutricional da amostra em análise. Há uma correlação negativa entre o valor do IBN e a produção, ou seja, quanto maior for o seu valor, menor a possibilidade de se obter altas produções.

VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Para um maior conhecimento a respeito do assunto cita-se abaixo algumas das principais bibliografias consultadas neste projeto.

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