Agricultor precisa de parâmetros e critérios para acompanhar notícias do mercado

Temos nos preocupado muito com algumas notícias que são publicadas por portais especializados na área de Agronegócio. São muitas reportagens tendenciosas, com informações pela metade e pouco criteriosa, para acompanhar os noticiários é preciso ter cautela com o que se lê e também cuidado com as recomendações oferecidas pela imprensa.

Na Corneta do Agro de hoje vamos abordar justamente este ponto: uma reportagem que traz em seu título o seguinte: “Adubação foliar de enxofre é insubstituível, afirma especialista”.

“Na avaliação do engenheiro agrônomo José Geraldo Zaparoli Vieira, a adubação foliar de enxofre é uma prática que vem trazendo “muita rentabilidade e eficácia para os produtores”. “Pode ser uma solução eficiente para problemas específicos e/ou complemento de uma adubação via solo”, defende.

Segundo Vieira, que é supervisor de Mercado da Yara Fertilizantes, “um dos grandes benefícios desta adubação é o alto índice de utilização ou aproveitamento pelas plantas dos nutrientes em relação àquela feita via solo. O enxofre é um elemento essencial para as plantas, situando-se no grupo dos macronutrientes, como o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio”.

“Nos solos, 90% do enxofre é encontrado na forma orgânica, porém a grande maioria dos terrenos apresenta deficiência deste elemento, principalmente os solos de regiões com pouca matéria orgânica. Alguns dos fatores que contribuem para a deficiência do enxofre no solo são o uso contínuo de fórmulas com baixo teor ou ausência do nutriente, a alta produtividade de culturas que exportam o elemento pelos grãos e regiões de plantio convencional sem presença da palha na superfície. Além desses, também o uso de queimadas, que causam perdas por volatilização, e a alta relação carbono/enxofre, que dificulta a mineralização”, explica.

“O enxofre desempenha algumas funções essenciais para as plantas, como a formação dos aminoácidos (cisteína, cistina, metionina, taurina), estando, desta forma, presente em todas as proteínas vegetais; e a participação nos processos metabólicos da fotossíntese, por estar em coenzimas como a ferredoxina e na fixação biológica do nitrogênio. Além das funções nutricionais, podemos citar também as fungistáticas, acaricidas e inseticidas do enxofre. Em virtude da escassez desse nutriente nos solos, alguns sintomas de deficiência estão presentes em áreas com agricultura intensiva. São eles: clorose, deficiência de coloração, folhas pequenas, enrolamento das margens das folhas, internódios curtos, redução de florescimento e menor nodulação em leguminosas. Essas manifestações levam, consequentemente, a possíveis quedas de produtividade”, complementa o engenheiro agrônomo.

Vieira explica a diferença em relação a outras substâncias: “Para suprimento do enxofre, as principais fontes recomendadas são sulfato de amônio (24% de enxofre), gesso agrícola (13%) e superfosfato simples como fonte fosfatada(12%), todos de aplicação via solo. Porém, essas formas como são fornecidas na agricultura intensiva não têm sido suficientes para elevação dos níveis do elemento nos solos. A alternativa seria, portanto, a adubação foliar, insubstituível para corrigir e solucionar os problemas de deficiência nutricional incluindo o enxofre”.

“Os resultados obtidos com a utilização desta técnica são excelentes e podem variar de acordo com a cultura, dose, qualidade do produto utilizado e nível tecnológico adotado. A orientação para o produtor é que procure sempre um engenheiro agrônomo para esclarecimento e posicionamento desta técnica”, conclui. “

Nosso comentário:

Mais uma vez algumas constatações passam a valer antes da técnica. Absolutamente não se pode aplicar enxofre nas plantas aleatoriamente como sugere o autor do texto acima. Por que aplicar enxofre caso a planta não necessite de enxofre num determinado estádio de desenvolvimento? Será que o excesso não seria também prejudicial?

Mais uma vez se tenta padronizar uma técnica sem avaliação agronômica, ou seja, o solo não consegue suprir a planta então se aplica via foliar. Até aí tudo bem, mas como o autor sabe que o solo não supre a planta? Apenas se fiando no fato do uso de formulações sem enxofre suficiente e, portanto, tome via foliar.

Aí o autor sugere que “Os resultados obtidos com a utilização desta técnica são excelentes e podem variar de acordo com a cultura, dose, qualidade do produto utilizado e nível tecnológico adotado. A orientação para o produtor é que procure sempre um engenheiro agrônomo para esclarecimento e posicionamento desta técnica”, conclui.

Ora, se os resultados obtidos com a técnica são excelentes, para que então procurar um engenheiro agrônomo? Adote a técnica e pronto. Caso se procure um engenheiro agrônomo, o que este vai esclarecer. Por acaso ele possui um olho biônico que consegue enxergar as deficiências de enxofre nas plantas sem avaliação da real necessidade deste.

Em nenhum momento o autor se referiu às análises de folhas ou tecidos para se avaliar o estado nutricional das plantas e afirmar com certeza qual a real necessidade. Será que sempre será apenas o enxofre? E os outros nutrientes? Será então que estão todos contemplados.

Devemos parar de chutar e avaliar. Quando se mede pode-se melhorar.

Dr. José Carlos Vieira de Almeida

Eng. Agrônomo Dr. José Carlos Vieira de Almeida – Doutor em Agronomia, Ex docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fisiologia Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: Manejo e controle de plantas daninhas e nutrição de plantas.
Corneta do Agro

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