Faz integração Lavoura Pecuária (ILP)? Usa o Sistema de Plantio Direto? Confira 5 ótimas opções para consórcios

Na busca de uma produção mais sustentável, tanto para o solo como para o bolso do produtor, os consórcios ganham espaço nas fazendas. De leguminosas com gramíneas, e integrando também outros grupos vegetais, eles são capazes de proporcionar benefícios como a fixação biológica de nitrogênio, aumento da cobertura e descompactação do solo, controle de nematóides e incremento do teor de proteína disponível para os animais na safrinha.

Abaixo, cinco tipos de consórcio, indicados para a safrinha em Mato Grosso (mas que podem ser utilizadas também em outras regiões), que não deixam dúvida sobre os benefícios de combinar diferentes espécies produtivas para revigorar o perfil do solo:

1) Guandu (anão ou arbóreo) com braquiária Paiaguás – Indicado tanto como fonte proteica na seca, para alimentação dos animais, como para plantio em SPD, graças à boa formação de biomassa, o consórcio de guandu com a braquiária Paiaguás aumenta a fixação de nitrogênio no solo e contribui para a sua descompactação. “O guandu é uma leguminosa que vai superbem com qualquer gramínea, podendo ser consorciado com a Paiaguás ou outros capins”, afirma Flávio Wruck, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, de Sinop, MT.

No caso da ILP, a vantagem do consórcio é que o guandu se torna mais palatável em sua fase reprodutiva, que coincide com a seca, formando um banco de proteína para os animais. “Mas a vantagem também exige um cuidado: respeitar a altura de pastejo, manejando bem o gado para que haja possibilidade de rebrota”. Daí ser necessário calcular quanto de biomassa há disponível na área, qual o consumo diário por animal e, consequentemente, por quanto tempo haverá alimento nesse pasto. No cultivo em SPD, o consórcio proporciona uma razão mais equilibrada entre carbono e nitrogênio, aumentando a vida útil da matéria orgânica — que sem um dos componentes entraria em decomposição mais rápido .

A semeadura do consórcio deve acontecer sempre após a soja, com o capim sendo plantado com taxa de semeadura como se fosse solteiro e a leguminosa entrando a lanço à taxa de 8 sementes por metro linear, para garantir que ao final do processo se tenha 6 plantas com espaçamento de 45 a 50 centímetros.

2) Feijão-caupi com braquiária Paiaguás – Diferente do guandu, o feijão-caupi é palatável e tem alta digestibilidade durante todo o seu ciclo, o que faz com que seja um forte candidato para sistemas de produção do boi safrinha, além de ser usado em SPD. “O empecilho está, na verdade, no preço da semente”, diz Wruck. Na safra passada, de acordo com ele, o quilo da BRS Tumucumaque estava, em média, R$ 3, sendo necessários 25 kg/ha da semente para estabelecer o consórcio. “Tentando contornar o problema, passamos a recomendar também da BRS Gurguéia, com ótimos resultados”, afirma. O custo da semente desta variedade é 30% menor do que o da Tumucumaque, uma vez que ela é menor e é semeada, em consórcio, na quantidade de 12 kg/ha. Na região de Sinop, a LC Sementes é uma das fornecedoras da variedade, de acordo com Wruck.

Assim como no caso anterior, a braquiária nesse consórcio pode ser semeada como se fosse solteira, com 400 a 500 pontos de VC (Valor Cultural), podendo chegar a 600 pontos de VC, conforme a situação e recomendação técnica. Embora seja mais custoso, o investimento compensa, segundo o especialista. “Supondo que você gaste R$ 75/ha com a semente de Tumucumaque, ou até R$ 100, isso é menos do que uma arroba, e já temos estudos que mostram que o ganho de peso no pasto consorciado, comparado com o de braquiária solteira, é de 2@”, afirma.

3) Crotalária ochroleuca, spectabilis ou juncea com braquiária Paiaguás – Indicadas para quem tem problemas com nematóides, as crotalárias ajudam a reduzir a população desses vermes no solo, seja os de cisto ou de galha. “Tanto a ochroleuca, como spectabilis e a juncea são eficientes nesse sentido. O que muda é quanto aos nematóides de lesões, como o pratylenchus, em que a ochroleuca e a spectabilis desempenham melhor o controle”, explica o pesquisador. Para consórcio em ILP, somente as duas últimas têm recomendação, e ainda assim só em consórcio, não podendo ser oferecidas aos animais solteiras. “Isso acontece por conta da toxicidade. A juncea, então, nem em consórcio é indicada, já que pode levar os animais à morte”. Sua utilização é indicada apenas para formação de palhada em SPD.

A recomendação de plantio segue a linha das demais opções no caso da braquiária. A lanço, de 400 a 500 pontos de VC e, em semeadora, de 300 a 350 pontos de VC. Para as crotalárias, tudo depende da variedade. Na spectabilis se usam 18 sementes por metro linear e espaçamento de 45 cm, o que dá uma média de 9 kg de semente/ha a lanço. Em mistura com a semente de braquiária são necessárias 40 sementes por metro linear, ou 12 kg/ha de spectabilis. Para a ochroleuca, usam-se 20 sementes por metro linear, cerca de 3 kg/ha a lanço. Misturando com a braquiária, 50 sementes por metro linear ou 8 kg/ha de sementes de ochroleuca. A juncea, por sua vez, pede de 11 a 13 sementes por metro linear, 13 kg/ha a lanço ou, em mistura, 25 sementes por metro linear, um total de 17 kg/ha.

4) Girassol com Paiaguás – Indicado tanto para ILP como para SPD, o consórcio de girassol com Paiaguás exige mais uma avaliação econômica do que técnica, já que, segundo Wruck, uma distância de mais de 100 km entre o polo produtor e a indústria inviabiliza o cultivo, resultando em prejuízo para o produtor. “A rentabilidade vem se essa questão for bem equacionada, até porque o girassol pode vir depois do milho, sendo outra alternativa mais tardia na janela para a safrinha”.

Na lavoura, é recomendado plantar 2,5 plantas por metro linear, com espaçamento de 45 cm a 50 cm. “A braquiária fica embaixo, mais abafada, e depois do corte do girassol cresce rapidamente, formando um bom pasto para os animais”. Escolhida pelo produtor, deve sempre entrar no campo em rotação, para evitar servir de ponte verde para nematóides e doenças.

5) Paiguás com coracana (pé-de-galinha), com guandu-anão, niger e nabo forrageiro – Consórcio um tanto quanto diferente, a associação de três ou mais famílias de plantas pode render bons resultados para quem deseja recuperar o solo, chegando mais perto do que seria um ecossistema natural. “Ideal para colocar o gado ou diversificar a biomassa, esse sistema tem várias finalidades. O pé de galinha, por exemplo, é forrageiro, serve para pastejo, e tem um sistema radicular muito vigoroso, que estrutura e descompacta o solo. O nabo promove a ciclagem de nutrientes e o guandu a fixação biológica de nitrogênio”, cita Wruck. Testado pela Embrapa, o modelo também é opção em anos que as sementes de plantas mais comerciais sobem de preço.

Sobre o banco de sementes no solo que um consórcio como esse pode gerar, e em não se querendo propagá-lo por anos consecutivos, uma dica do pesquisador é colocar o gado antes das plantas sementearem ou dessecá-las antes desse processo.

Fonte: Portal DBO