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Suplementacao Foliar Soja

Não se deixe enganar! Diagnose e suplementação foliar para a soja não é “complexa” como dizem!

Em dezembro o Canal Rural (através do site do Projeto Soja Brasil) e, posteriormente, o Portal KLFF, publicaram um artigo do Eng. Aureo Lantmann com um título bem ‘chamativo’ (e equivocado!) “Entenda a complexidade que envolve a adubação foliar para a soja”. Para explicar porque ‘chamativo’ e ‘equivocado’, o Dr. Roberto Fioretto escreveu um texto muito didático sobre o tema. Se desejar ler o texto original, ele está no final deste artigo!

Adubação foliar?

Este artigo, que está entre os ‘destaques’ do Canal Rural, confunde o mercado e prejudica os profissionais que oferecem o serviço de acompanhamento e diagnose da saúde de plantas. Começamos pelo título, “Entenda a complexidade que envolve a adubação foliar para a soja”.

O termo adubação é empregado para a restituição de macronutrientes. Utilizar o mesmo termo para a absorção foliar é um grande equivoco uma vez que a absorção dos nutrientes ocorre pelas raízes. Então os elementos que são exigidos em g/Kg de matéria seca, são chamados de macronutrientes e, deverão ser administrados via radicular, através do solo. É por isso que não se verifica resultados consistentes nessa prática, quando se aplica macroelemento via foliar.

Os elementos micronutrientes, são absorvidos em teores que representam mg/Kg de matéria seca, ou seja, são demandados em uma concentração 1.000 vezes menor do que os macronutrientes, razão pela qual é tecnicamente aplicável via foliar para repor deficiências ou desequilíbrios em microelementos. Dessa forma achamos mais prudente utilizarmos a palavra Suplementação ao invés de Adubação para aplicação de nutrientes foliar, principalmente micronutrientes. Isso faz toda a diferença no conceito e nos resultados da Diagnose Foliar. Portanto a complexidade não é da prática em si, mas sim do conceito que se pratica nessa operação.

Objetivo da “Adubação foliar”?

No decorrer do texto o autor diz: “A adubação foliar normalmente é tratada de forma muito genérica ou dando uma perspectiva exagerada do efeito, sem a consideração de uma série de particularidades que seu emprego requer.

Qual o objetivo da adubação foliar?
A) Corrigir as deficiências?
B) Complementar à adubação do solo?
C) Suplementar à adubação do solo durante todo o ciclo da cultura?
D) Suplementar à adubação de solo no estádio reprodutivo da soja?”

Dos quatro itens apresentados nenhum se justifica em pleno século XXI, pois a diagnose foliar, não é complementação de nada, é uma técnica, que por si só, avalia a amplitude dos desequilíbrios entre os 11 elementos minerais essenciais. Vale ressaltar que esses desequilíbrios são essenciais para o crescimento das plantas (balanço [Cátions – Ânions]). Assim, monitorar as plantas através da amostra de folhas é apenas ajudar a lavoura a se desenvolver na plenitude, principalmente se houver uma descompensação de cargas desse equilíbrio. Portanto, é a forma mais eficiente e disponível na Agronomia para se obter um diagnóstico precoce, pois as plantas “bebem” nutrientes diretamente da solução, à semelhança de um “soro” fisiológico. Dessa forma, analisar o tecido vegetal, é como avaliar indiretamente o terreno biológico ou o ambiente de produção naquele momento, pois é variável o tempo todo, até mesmo durante o dia. Para que usa essa técnica como ferramenta de diagnóstico, não existe dúvida sobre o porquê fazer diagnose foliar!

Necessidades nutricionais e Análise de solo

Na sequência o autor ‘conclui’ “Mas, se as necessidades nutricionais da soja, quantificadas em função da interpretação dos resultados de análises de solo, foram atendidas via adubação no solo, não há razão para a aplicação foliar, que seria inócua.”

Toda análise química de solo, está voltada para a quantificação do tamanho do potencial de cargas negativas daquele solo, ou seja, a C.T.C – Capacidade de Troca de Cátions. À luz do conhecimento atual, os cátions envolvidos nessa troca são, único e exclusivamente, aqueles que conferem um balanço entre a saturação em ácidos (H + Al) e a saturação em bases (Ca + Mg + K). Nota-se que, apenas para 3 elementos essências no solo, o Cálcio; o Magnésio; o “Potássio” pode-se interpretar com essa análise em mãos. Mas as plantas necessitam de todos os macro e micronutrientes. Para poder discutir melhor sobre o diagnóstico da fertilidade dos solos na nutrição das plantas, vamos avaliar como os elementos essenciais são assimilados pelas plantas.

suplementacao

Portanto, como se observa nos macronutrientes, só 3 elementos são diagnosticados com eficiência na análise do solo, o cálcio, o magnésio e o potássio, que são cátions (positivos). Já o nitrogênio, o fósforo e o enxofre, são assimilados como ânions, então em nada ou muito pouco a análise de solo contribui com acurácia para esses ânions (negativo). Então o melhor diagnóstico para a nutrição vegetal em N; P e S é a analise da planta, ou seja, a diagnose foliar que revela a solubilidade desses íons na solução do solo. Como aplicar macronutriente via foliar é pouco eficiente, temos que buscar formas para a interpretação na análise do solo, sabendo da ineficiência da mesma para esse fim específico.

O mesmo raciocínio é válido para os micronutrientes, independentemente se são cátions ou ânions, pois numa analise de solo pouco ou nada contribui para a detecção das disponibilidades , então, a diagnose foliar é o melhor caminho para o entendimento do estado nutricional com os elementos “menores”.

Assim, pode-se notar que através da diagnose foliar é possível avaliar, com eficiência, 9 elementos essenciais diretamente e 3 indiretamente (Ca,Mg,K).

A análise foliar, no processo produtivo, é tão ou mais importante, para a safra em curso, quanto a análise de solo, um complementa o outro.

Tudo que se mede, pode ser melhorado. Jamais haverá eficiência Agronômica e, por consequência Econômica praticando um manejo de nutrientes às “CEGAS”. É empirismo e perda de tempo!

Pulverização foliar tem restrições?

Em outro ponto o autor diz que “o uso dos principais nutrientes em pulverização foliar tem sérias restrições. A utilização de sais solúveis de NPK, deste modo, somente pode ser feita em baixa concentração, sendo necessárias, várias aplicações para atingir a adequada quantidade de nutrientes, nas plantas, capaz de afetar significativamente a produção. Quando a concentração é aumentada, pode ocorrer a queima das folhas.”

Isso é verdade, mas por causa desse fato, não se deve praticar suplementações foliares com macronutrientes e sim, com micronutrientes, cuja concentração nas plantas é de 1000 vezes menor do que os elementos macronutrientes. Nesse sentido, não é verdadeiro a informação de que a pulverização foliar tem sérias restrições. Novamente é uma questão de conceito, pois a maneira mais prática e econômica de se restituir micronutriente é através da pulverização foliar, onde em baixas concentrações resolve-se limitações que seriam restritivas para a produção.

Eficiência da aplicação foliar

E o outro continua “Na prática, têm sido obtidos resultados muito inconsistentes quanto à sua eficiência, havendo ainda inúmeros pontos obscuros a serem estudados…”

Como podem existir pontos obscuros se a aplicação de nutrientes às folhas das plantas é conhecida há mais de 120 anos? Com o advento da informática e a evolução da tecnologia da informação, foi possível dominar uma técnica criada em 1973, que possibilitou um grande avanço na interpretação entre o equilíbrio dos nutrientes na planta, o DRIS – Sistema Integrado de Recomendação e Diagnóstico. É um método fantástico para ser utilizado como ferramenta de diagnóstico precoce e avaliação do elemento limitante. A partir de então, as informações inconsistentes ficam por conta da falta de conceito e de metodologia de diagnóstico inexistentes.

Histórico de anos anteriores?

Para finalizar (e confundir ainda mais o leitor) o autor diz que “A maior questão sobre a adubação foliar para a soja é, quando se deve aplicar adubo foliar:

Para isso, na verdade há necessidade de um diagnóstico, em que se considere:

1) resultados de análise de solo;
2) resultados de análises foliar de anos anteriores, complementados com índices do DRIS (metodologia que avalia o estado nutricional das plantas, a fim de orientar a recomendação para adubação);
3) conhecimentos da adubação utilizada no ano e principalmente das adubações de anos anteriores;
4) histórico de sintomas de deficiências em anos anteriores principalmente de micronutrientes;
5) considerar as resposta apresentadas com o uso de adubos foliares em, anos anteriores.”

Há que se considerar uma grande diferença entre aplicar “adubos foliar” e ter um diagnóstico para suplementar o elemento faltante. Essa diferença no conceito é gritante, uma vez que 1 (um) dia na vida de uma soja, equivale a 200 (duzentos) dias respectivos na vida de um humano. Deste modo, 10 (dez) dias na vida de uma soja representa 5 (cinco) anos de vida para nós humanos. Imagine se há uma demora em se tomar uma decisão para a suplementação foliar de culturas anuais como a soja. É por essa razão que certos resultados da aplicação foliar são inconsistentes, pois de acordo com as perguntas formuladas acima, só pode levar ao empirismo da técnica, onde não há diagnostico, não há logística, não há produto compatível com a necessidade do momento e, o que na realidade ocorre é uma aplicação às cegas, muito bom para o comércio mas, péssimo para as plantas.

Quando se trata de diagnose foliar, o que vale é o momento pontual no ambiente onde as plantas estão crescendo, pois as raízes absorvem os elementos solúveis. Do que adianta análises anteriores? Pense nisso!!

Leia o artigo original na íntegra:

Entenda a complexidade que envolve a adubação foliar para a soja

Normalmente, a adubação foliar é tratada de forma muito genérica ou passando uma perspectiva exagerada de seu efeito. Mas, antes de optar por este método, é preciso considerar uma série de particularidades.

A aplicação de nutrientes às folhas das plantas, com o objetivo de complementar ou suplementar as necessidades nutricionais das mesmas, é fundamental para o bom desenvolvimento da soja.

Como sempre tem sido, no inicio de cada safra de soja há certa apreensão da parte dos agricultores com relação aos custos de produção. Valores que podem ser reduzidos, sem que se comprometa o rendimento da soja. Alguns insumos são totalmente dispensáveis, para obtenção de alta produção. E tem sido comum, nas últimas safras, o uso quase indiscriminado de produtos sem nenhuma chance de retorno econômico.

A aplicação de nutrientes às folhas das plantas, com o objetivo de complementar ou suplementar as necessidades nutricionais das mesmas, não é uma prática nova, sendo conhecida há mais de 120 anos. Apesar de todos os conhecimentos e de algumas vantagens, o uso dos principais nutrientes em pulverização foliar tem sérias restrições. A utilização de sais solúveis de NPK, deste modo, somente pode ser feita em baixa concentração, sendo necessárias, várias aplicações para atingir a adequada quantidade de nutrientes, nas plantas, capaz de afetar significativamente a produção. Quando a concentração é aumentada, pode ocorrer a queima das folhas. Na prática, têm sido obtidos resultados muito inconsistentes quanto à sua eficiência, havendo ainda inúmeros pontos obscuros a serem estudados, sem o que não será possível sua utilização em larga escala.

A adubação foliar normalmente é tratada de forma muito genérica ou dando uma perspectiva exagerada do efeito, sem a consideração de uma série de particularidades que seu emprego requer.

Qual o objetivo da adubação foliar?
A) Corrigir as deficiências?
B) Complementar à adubação do solo?
C) Suplementar à adubação do solo durante todo o ciclo da cultura?
D) Suplementar à adubação de solo no estádio reprodutivo da soja?

Mas, se as necessidades nutricionais da soja, quantificadas em função da interpretação dos resultados de análises de solo, foram atendidas via adubação no solo, não há razão para a aplicação foliar, que seria inócua.

A maior questão sobre a adubação foliar para a soja é, quando se deve aplicar adubo foliar:

Para isso, na verdade há necessidade de um diagnóstico, em que se considere:
1) resultados de análise de solo;
2) resultados de análises foliar de anos anteriores, complementados com índices do DRIS (metodologia que avalia o estado nutricional das plantas, a fim de orientar a recomendação para adubação);
3) conhecimentos da adubação utilizada no ano e principalmente das adubações de anos anteriores;
4) histórico de sintomas de deficiências em anos anteriores principalmente de micronutrientes;
5) considerar as resposta apresentadas com o uso de adubos foliares em, anos anteriores.

Sem esse conjunto de informações, a adubação foliar na soja fica sem objetivo e sem parâmetros de referência para sua recomendação.

Nos casos de cobalto e molibdênio e do manganês, há argumentos técnicos para suas recomendações via foliar. Cobalto e molibdênio, quando não foram adicionados via sementes, em que pese ser esta ainda a mais eficiente forma de adubação para esses dois nutrientes, pode se optar pela via foliar. Para o manganês, quando surgirem sintomas ainda no período vegetativo, se recomenda via foliar.

Por: Áureo Lantmann

Fonte: Canal Rural

Dr. Roberto Antunes Fioretto

Eng. Agrônomo Dr. ROBERTO ANTUNES FIORETTO – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fertilidade de Solo e Nutrição de Plantas, atuando principalmente nos seguintes temas: calagem, bases trocáveis, equilíbrio químico, adubação e cátions básicos.

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