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Correcao Solo Plantio Direto

Correção e fertilidade do solo sob Sistema de Plantio Direto (SPD)

O Doutor em Ciência do Solo pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), Tales Tiecher, escreveu um artigo interessante sobre a fertilidade dos solos em sistemas de plantio direto. Neste artigo ele fala sobre a importância da preparação da área que irá passar do Sistema de Cultivo Convencional (SCC) para o Sistema de Plantio Direto (SPD), já que a correção do solo ácido no Plantio Direto se mantém na faixa de 10 cm, enquanto as plantas precisam de uma profundidade maior para absorver água e nutrientes com seu sistema radicular. Leia abaixo o texto na íntegra.

No sistema de cultivo convencional (SCC), as amostras de solo eram coletadas na camada de 0-20 cm. O calcário era aplicado superficialmente seguido de arações e gradagens para sua incorporação, garantindo uma camada de solo adequada ao crescimento radicular, permitindo o acesso aos nutrientes e a água em profundidade. Contudo, com o advento do sistema plantio direto (SPD), o calcário passou então a ser aplicado superficialmente sem revolvimento do solo.

Segundo a Comissão de Química e Fertilidade do Solo dos estados do RS e SC (CQFS-RS/SC, 2004), a recomendação para a implantação do SPD a partir de área cultivada sob SCC, é fazer uma amostragem de solo na camada de 0-20 cm e aplicar a quantidade de calcário necessária para elevar o pH do solo a 6,0, seguido de incorporação no solo. A partir dessa última operação de incorporação as amostras devem ser coletadas somente na camada de 0-10 cm e a aplicação do calcário é feita, quando necessária, superficialmente e sem incorporação. Contudo, nos estados do RS e SC, muitos agricultores negligenciaram essa recomendação e começaram a cultivar o solo no SPD em áreas degradadas quimicamente sem fazer essa correção prévia do solo em profundidade antes da implantação do SPD.

Devido à baixa mobilidade do calcário em profundidade, os efeitos benéficos da correção da acidez do solo que recebe calcário superficialmente se estendem somente aos primeiros centímetros de solo (geralmente até 10 a 12 cm). Por isso muitas dessas áreas possuem problemas severos de toxidez de alumínio em camadas mais profundas do solo (10-20 cm), que impedem o aprofundamento do sistema radicular das plantas. Isso significa que as plantas cultivadas nessas áreas, sejam elas pastagens ou culturas anuais, não conseguem acessar água e nutrientes do solo em camadas mais profundas, resultando em produtividade limitada, especialmente em períodos de estiagem.

Por isso, é de extrema importância que nas áreas cultivadas onde verifica-se crescimento radicular limitado das plantas, seja coletado amostras de solo na camada de 10-20 cm, além do solo da camada 0-10 cm. Em áreas com pH do solo da camada 10-20 cm abaixo de 5,5, com elevada saturação por alumínio (maior que 30%), e baixa saturação por bases (menor que 65%), deve-se levar em consideração uma possível calagem com incorporação para corrigir toda a camada de 0-20 cm e então retomar um SPD com maior qualidade e produtividade.

Tales Tiecher- Mestre em Ciência do Solo/UFSM – Doutor em Ciência do Solo/UFSM – Doutor em “Sciences de la Terre et de l’Univers, Espace” – Université de Poitiers, França – Professor do Curso Superior de Tecnologia em Agropecuária da URI-FW – Responsável Técnico do Laboratório de Análises de Solos da URI-FW – Editor-Chefe da Revista Brasileira de Tecnologia em Agropecuária.

Foto: Vanessa Bertolazi

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