Plantio Direto

[Alerta] Plantio Direto está gerando duas camadas distintas de solo

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq), teve como objetivo estudar fatores que, além do processo de compactação mecânica do solo, podem estar promovendo a estratificação física e química de solos altamente intemperizados cultivados sob sistema de plantio direto. “A magnitude desse problema se estende a mais de 30 milhões de hectares de lavoura cultivada sob plantio direto no Brasil, colocando em risco as projeções de exuberância da agricultura no país”, disse Márcio Renato Nunes, autor da tese.

As áreas sob o plantio direto apresentaram duas camadas de solo distintas: uma entre, aproximadamente, 0 e 7 cm de profundidade, com condições físicas e químicas favoráveis ao desenvolvimento da raiz e a outra entre, aproximadamente, 7 e 20 cm de profundidade, com menor permeabilidade do solo ao ar e a água, elevada resistência à penetração e baixa fertilidade química do solo. “Estas condições promovem a concentração do sistema radicular das plantas agrícolas cultivadas na camada mais superficial do solo, a de 0 a 7 cm, motivando perdas de produtividade por estresse hídrico”, explicou Nunes.

Entre os possíveis fatores causadores deste tipo de degradação, foram avaliados pelo pesquisador a aplicação excessiva de calcário, exclusivamente em superfície, ocasionando, na camada de 0 a 7 cm, a elevação do pH do solo para além do ponto de carga zero do solo, elevando assim o potencial eletronegativo do solo e, por consequência, promovendo a dispersão de argila; a migração da argila dispersa no perfil do solo, pela água de percolação, como um fator causador de degradação física em subsuperfície; e a contribuição de fitomassa ao solo, em quantidade e qualidade, para manter a estabilidade estrutural dos solos cultivados.

Os resultados obtidos mostraram que o movimento de calcário no perfil dos solos estudados é muito lento, limitando o efeito deste produto a poucos centímetros abaixo do local onde ele é depositado ou incorporado, independentemente da dose. “Desse modo, a calagem superficial promove e intensifica a estratificação dos atributos químicos no perfil do solo, aumentando o pH próximo à superfície e sendo ineficiente em reduzir a acidez na subsuperficie destes solos. A concentração de calcário na camada mais superficial dos solos altamente intemperizados aumenta a eletronegatividade do solo, resultando na dispersão de argila”, explica.

De acordo com o pesquisador, a migração dos argilominerais dispersos no perfil do solo, pela água de percolação, promove uma série de alterações estruturais, incluindo a diminuição da porosidade total e da continuidade dos poros e o aumento da densidade e da resistência do solo à penetração na camada subsuperficial. A diminuição da estabilidade estrutural dos Latossolos (solos minerais) sob cultivo também está ligada ao aporte de material orgânico ao solo, em quantidade e qualidade inferiores à que ocorre no solo sob sistema nativo. “Os Latossolos cauliníticos são mais propensos à diminuição da estabilidade estrutural quando submetidos ao cultivo. Portanto, a recomendação de calagem em solos altamente intemperizados cultivados sob plantio direto precisa considerar a mineralogia do solo e a possível degradação estrutural promovida pela calagem em excesso”.

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Este post tem 6 comentários

  1. Finalmente alguem conseguiu colocar de maneira mais cientifica, pois se trata de um trabalho de pos graduacao, o que vimos comentando ha anos sobre o efeito das calagens superficiais em areas de plantio direto. a dispersao de argilas e uma constatacao biblica dada o tempo de que se fala nisso. no entanto, os partidarios religiosos do plantio direto nao discutem este dogma. o plantio direto e apenas um sistema de conservacao de solos como muitos outros disponiveis, mas altamente deleterio quando se considera os aspectos de fertilidade dos solos. Congratulacoes ao pesquisadoer que trouxe o assunto para a discussao.

    1. Parabéns Professor, por divulgar informação de grande importância agronômica.
      Att.
      José Eduardo Silva Perez
      27ª turma de Agronomia UEL

  2. A gessagem uns 2 meses após a calagem, não ajudaria a combater essa estratificação, levando nutrientes para camadas mais baixas, e favorecendo um desenvolvimento radicular mais profundo das plantas?

    1. Olá Sandro! Sua pergunta é muito pertinente e pode ser comum a muitas pessoas!

      Segue a resposta do Dr. Roberto Fioretto:
      “Vale lembrar que o Gesso Agrícola é Sulfato de Cálcio, portanto, carrega o mesmo cátion que acompanha o Calcário, o Cálcio.
      De acordo com a publicação, foi o cálcio, através da prática da calagem, que provocou a dispersão das argilas. Nesse sentido, qual a razão de se aplicar o mesmo cátion, o cálcio, proveniente de outra fonte como o gesso? Ou seja, seria muito mais do mesmo.
      Outro detalhe é que na camada compactada entre 7 – 20 cm, há um impedimento físico para a difusão da água no perfil, como haveria carreamento ou lixiviação desse gesso? Para isso ocorrer é necessário haver drenagem interna!
      Portanto, é muito mais fácil DIAGNOSTICAR, do que REMEDIAR.

  3. Bom dia professores ! Estão oferecendo um produto “milagroso “para correção de solo . Os nomes comerciais são vários , mas basicamente é uma mistura de óxido de cálcio e magnésio e gesso .
    O apelo de vendas é a aplicação a lanço deste produto e a tão sonhada correção subsuperficial de acidez. . Por favor , poderiam fazer uma análise técnica deste sonho de consumo para o plantio direto.

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