Adubo Mito

Quanto mais adubo mais produtividade: Verdade ou Mito?

Uma pesquisa que está sendo conduzida pela Fundação MT em Nova Mutum está comprovando que a afirmação de que “quanto mais adubo mais produtividade” é um mito! O ensaio conta com 6 safras de soja e 5 de milho safrinha num área que JÁ POSSUÍA FERTILIDADE CONSTRUÍDA.

Como funciona o ensaio

O histórico da área, segundo o pesquisador Fabio Ono, é de um solo de cerrado que possuía baixa fertilidade mas que foi corrigido pelo proprietário ao longo dos anos e no inicio do ensaio ele já apresentava uma boa fertilidade.

São 7 níveis de adubação de fósforo e 3 de potássio para soja. Para o milho safrinha há uma adubação apenas com ureia (nitrogênio), outra com a adubação recomendada ( com base na exportação do grão) e uma com adubação alta.

Resultados

Adubação abaixo do recomendado: Não há resposta nos primeiros anos, visto a fertilidade pré-existente do solo. Agora já aparecem as primeiras deficiências para potássio e posteriormente para o fósforo, e portanto já começa haver a diminuição da produtividade.

Adubação acima do recomendado: Não houve aumento da produtividade nos 6 anos do ensaio, a produtividade tanto da soja quanto do milho tem sido similar as áreas onde está sendo aplicado a dose de adubação recomendada pelas tabelas de recomendação.

O pesquisador ressalta que esta contatação é muito importante já que doses maiores implicam em custos maiores de fertilizantes e mão-de-obra, que não se traduz de fato em produtividade, ou seja, não há correlação entre adubar mais (acima do recomendado/exportado) e aumentar a produtividade.

Conclusões e Recomendações:

O que este ensaio nos mostra é o que nós já temos como lema: tudo que é medido pode ser melhorado! Ou seja, é preciso analisar disponibilidade de nutrientes no solo e nas folhas para garantir uma recomendação de macro e micronutrientes adequadas. O DRIS é um excelente método auxiliar neste processo, apontando de forma clara o balanço e os desequilíbrios nutricionais que vão impactar na produtividade.

Outro ponto a ser destacado é a necessidade de um diagnóstico aprofundado da área para identificação das necessidades de correção do solo, tanto no que diz respeito à acidez quanto aos macronutrientes como o cálcio.

Já no final da entrevista Ono destaca que o fósforo, no caso do cerrado, merece atenção, já que por muitos anos houve uma aplicação demasiada de fósforo nas áreas e, portanto, há um excedente de nutriente no solo.

Outro ponto importante que o pesquisador trata é da relação entre adubação e produtividade, ele comenta de forma breve que para o potássio pode estar acontecendo um desequilíbrio em diversas áreas que seguem as tabelas de recomendação, já que elas levam em consideração uma produtividade de 50-55 sacas. Se uma área apresenta produtividades maiores é preciso analisar as recomendações já que há uma exportação maior de nutrientes.

Este alerta vale não apenas para o potássio, mas para todos os macro e micronutrientes! As tabelas de recomendação não acompanham adequadamente a realidade produtividade no campo, o mais adequado seria acompanhar e recomendar com base em diagnósticos mais precisos, principalmente com base na Análise de Solo e Análise Foliar.

Como mais fertilizante não garante mais produtividade o que precisamos é garantir a DOSE CERTA para manter o Balanço de Nutrientes adequado!

 

Veja o vídeo com a Entrevista com Fabio Ono:

 

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