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Solo Mato Grosso

Solo do Mato Grosso pede socorro

O I Simpósio Agroestratégico “Repensando a agricultura do futuro”, promovido pela Aprosoja-MT em Cuiabá no início do mês de julho foi marcado pela “mea culpa” dos pesquisadores da Embrapa e da Fundação Mato Grosso.

Durante muitos anos a Doutora Ana Maria Primavesi, autora do clássico “Manejo Ecológico do Solo”, pregou a preservação do solo e recuperação de áreas degradadas, abordando o manejo do solo de forma integra com o meio ambiente. Durante este período ela foi “taxada” de “ecologista”, soando como uma nota dissonante frente à chamada revolução verde, que pretendia resolver todos os problemas da agricultura com a aplicação de adubos químicos e agrotóxicos. Por isso seus ensinamentos não foram absorvidos na medida da sua importância para a agricultura tropical.

“Ela tinha razão, pena que não escutamos a velhinha”, desabafou o agrônomo formado pela Esalq e produtor rural José Eduardo Júnior, que planta 1.200 hectares no médio-norte de Mato Grosso. Segundo ele, a agricultura está numa encruzilhada, com o atual sistema de produção incapaz de responder aos investimentos. “O solo está pedindo socorro, está doente, esgotado com a monocultura da soja em sucessão com milho e algodão”.

No evento, os pesquisadores da Embrapa e da Fundação Mato Grosso criticaram o modelo atual e pregaram o estabelecimento de um “sistema de produção” e não apenas de “sistemas de cultivo”, como tem sido praticado – ou seja, o agricultor não pode levar em conta apenas o que fazer na próxima safra, mas sim obter resultados nas lavouras garantindo que os recursos naturais mantenham-se à disposição ao longo dos anos.

A produtividade da soja e do algodão estão estagnadas na região há mais de uma década, o número de pulverizações nas plantações de algodão chega a 30 numa única safra. “Usamos cada vez mais tecnologia e nada de aumentar a produtividade. Nunca investimos tanto, mas cadê os resultados”. Para ele, está-se confundindo ferramentas tecnológicas com tecnologia, que significa conhecimento e não equipamento. “Não sei se agricultura de precisão é conhecimento… Nós não procuramos entender as plantas. Áreas corrigidas há muito tempo começaram a ter outros problemas” coloca o pesquisador Leandro Zancanaro.

Já o produtor José Eduardo Junior comentou sobre o que vem fazendo desde 2007: observando a natureza. Em sua propriedade, ele implantou um sistema que integra rotação de culturas, consorciação, plantio de cobertura, sempre em plantio direto, até mesmo de arroz, além da soja, milho, braquiária, crotalárias, pé-de-galinha, nabo forrageiro, milheto e trigo mourisco. Segundo ele, já no primeiro ano notou diferenças na lavoura, que passou a contar com um volume maior de matéria orgânica no solo, e a cada ano que passa percebe maior produtividade nas culturas. A matéria orgânica proporciona o equilíbrio e diversificação da microfauna do solo – hoje ele convive sem problemas com nematoides, pois estão em equilíbrio no ambiente – e o aumento da fertilidade em geral do solo, o que tem proporcionado à sua fazenda um ganho até 60% maior que a média da região, entre economia de adubo e defensivos e elevação da produtividade.

“Esta é a nova onda da agricultura, que nada mais é do que a velha fórmula da dra. Primavesi”, define Júnior. Zancanaro emenda: “Temos um ganho com a genética, mas a condição fitossanitária está se agravando e é ela que vai nos fazer mudar”.

Laborsolo Laboratórios

A Laborsolo Laboratórios atua a quase 30 anos com Análises Agronômicas. Nosso portfólio é amplo (solo, folha, alimento animal, água, fertilizantes e corretivos) e estamos focado no desenvolvimento de tecnologias que auxiliem no dia a dia do Agronegócio.

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