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Variabilidade Vertical e a Correção do Solo

Série de Artigos: Variabilidade Vertical

Como comentado no post anterior, a variabilidade vertical é simplesmente ignorada hoje na maioria das “Agriculturas de Precisão tradicionais”, seja por falta de conceitos técnicos ou da tentativa de viabilização financeira da atividade.

Neste e nos próximos posts vamos discutir algumas práticas agrícolas que ocorrem no dia a dia da agricultura que acabam passando despercebidas, mas que interferem nas decisões tomadas no campo e mostram a importância do diagnóstico preciso da fertilidade do solo, com foco na identificação da variabilidade dos nutrientes de acordo com a profundidade do solo.

Correção de solo

Vamos analisar a seguinte situação: Calagem em áreas de agricultura sob plantio direto, onde não há movimentação de solo, logo todo corretivo/calcário é aplicado em superfície.

Pergunta:

Será que as doses de calcário aplicadas nas áreas de plantio direto em superfície irão reagir uniformemente em toda extensão da área e na profundidade de solo desejada?

Antes de responder, vamos a alguns fatos:

1) Todas as metodologias oficiais de correção de solo hoje no Brasil são “calibradas” para a camada de 00-20 cm, portanto teoricamente uma dose de 4 ton/ha significa 3 toneladas de produto distribuídas uniformemente em 20 cm de solo;

2) A solubilidade do Carbonato de Cálcio (componente predominante dos calcários agrícolas) é de 0,16 g/L. Ou seja, quimicamente o calcário é quase insolúvel;

Resposta:

As variáveis para que essa reação ocorra uniformemente em toda a área, na camada de 20 cm de profundidade, são muitas e difíceis de mensurar mas podemos dizer com certeza que geralmente isso não ocorre.

Pensando no exemplo à cima:

– Dose: 4,0 ton/ha de calcário calculada para 20 cm de espessura de solo e aplicada em superfície.  Levando em consideração ambos os fatos apresentados, teríamos 2 consequências:

1) Supercalagem na camada superficial;

2) Subcalagem nas camadas mais profundas;

Pensando que de forma imediata o corretivo aplicado reagiria apenas nos primeiros centímetros de profundidade fazemos algumas suposições:

– Se a reação ocorrer apenas nos primeiros 10 cm teríamos aplicado equivalente a 8,0 ton/ha;

– Se a reação ocorrer apenas nos primeiros 5 cm teríamos aplicado equivalente a 16,0 ton/ha;

As consequências são o não cumprimento do objetivo da calagem (elevação do pH do solo e fornecimento de Cálcio e Magnésio no perfil do solo), indisponibilidade de alguns micronutrientes para a absorção devido ao excesso de pH em superfície e consequentemente o aumento da variabilidade vertical da fertilidade do solo.

Além disso o aumento excessivo do pH nas camadas superficiais pode induzir a dispersão das argilas no solo, acarretando em problemas físicos irreversíveis.

Vejamos o exemplo abaixo:

variabilidade-vertical-2

A análise acima é de uma fazenda na região de Cornélio Procópio-PR com Sistema de Plantio direto há 15 anos aproximadamente. Ao longo dos anos vêm aplicando calcário dolomítico em superfície a cada 3 anos. Com a amostragem estratificada do solo, 0-10 cm, 10-20 cm e 20-40 cm podemos identificar e diagnosticar a variabilidade dos atributos químicos do solo conforme a profundidade indicada, com destaque para o Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) ,pH e Saturação de Bases (V%), atributos estes que variam diretamente com o efeito da correção. Podemos observar claramente a concentração destes parâmetros no horizonte de 0-10 cm e com isto propor as intervenções necessárias.

Será que neste caso, uma análises comum 0-20 cm seria eficiente? O resultado expresso pela análise 0-20 cm estaria correto? Será que não perderíamos informações relevantes que refletem diretamente nas decisões a serem tomadas?

Laborsolo Laboratórios

A Laborsolo Laboratórios atua a quase 30 anos com Análises Agronômicas. Nosso portfólio é amplo (solo, folha, alimento animal, água, fertilizantes e corretivos) e estamos focado no desenvolvimento de tecnologias que auxiliem no dia a dia do Agronegócio.

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