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Adubação verde: As plantas de cobertura sozinhas não fazem milagre

É comum ouvirmos que “Adubação Verde eleva a capacidade produtiva do Solo” e que “O sistema radicular mais profundo dos adubos verdes condiciona o solo para que a nova cultura econômica explore melhor os nutrientes e a água do solo!”

Não devemos nos esquecer que essas plantas de cobertura possuem as mesmas necessidades nutricionais que qualquer outra cultura econômica. Assim, afirmar que há um aprofundamento do sistema radicular, sem avaliar as condições físico-química do solo (como por exemplo: grau de compactação, saturação de alumínio, saturação em cálcio) é ignorar os preceitos agronômicos já consagrados.

Para uma vigorosa produção em matéria seca é necessário uma exuberante parte aérea e, para que isso ocorra, um vigoroso sistema radicular tem que ser desenvolvido. Dessa forma, as mesmas condições físico-química do solo para uma lavoura de milho, tem de ser obtida ou disponibilizada para uma planta de cobertura, pois quem garantirá os benefícios da matéria seca ao solo, são os compostos de Carbono, obtido na fixação do CO2 da atmosfera através do fenômeno da fotossíntese, que depende, incondicionalmente, da disponibilidade da água e do equilíbrio em nutrientes do solo.

Outra afirmação comum é que “Os adubos verdes que são gramíneas e dicotiledôneas formam a palhada que cobrem o solo e os que são leguminosas, produzem biomassa e fornecem maior aporte de nitrogênio à cultura”.

Essa afirmação é uma verdade, mas o que não esta escrito em nenhum compêndio Agronômico é que mesmo a palhada sendo benéfica, o uso intensivo sem o monitoramento do solo, pode levar a surpresas desagradáveis e com prejuízos irreparáveis, ou seja, todo material vegetal contém o potássio em abundância e, esse mineral não faz parte de nenhum complexo orgânico, portanto ele encontra-se livre no interior das células sendo, facilmente lixiviado ou lavado da palhada, com a água da chuva ou da irrigação. Dessa forma atinge a superfície do solo, no máximo a 8-10cm de profundidade.

A partir daí é que podem começar os problemas:

    1. Salinização da camada superficial do solo: A alta concentração em potássio pode provocar aumento da CE20ºC Condutividade Elétrica na solução do solo, que é uma medida indireta da salinização do solo. O aumento da salinização da solução do solo leva ao aumento da pressão osmótica no ambiente radicular, fazendo com que a água fique retida com maior força, diminuindo a água disponível e comprometendo a absorção de água e nutrientes. Além do mais, ocorre um fluxo reverso de água das células das raízes para a solução do solo, provocando déficit hídrico nas plantas. Isso pode ser avaliado com a análise do extrato de saturação do solo, em camadas sub-superficiais de 0-10cm, 10-20cm, sendo mais cuidadoso, nas camadas de 20-40cm.

 

    1. Aumento no grau de Dispersão das Argilas:Quando realizamos uma análise granulométrica (Areia, Silte e Argila), em laboratório, temos que provocar a dispersão dos agregados do solo a fim de avaliar as diferentes frações granulométricas, ou seja, a areia, o silte e a argila. Para isso, usamos como dispersante o hidróxido de sódio (NaOH), sendo que o sódio (Na+), elemento positivo e monovalente é que é o responsável pela desagregação das argilas. Poderíamos usar o hidróxido de potássio (KOH), que é mais caro, e por essa razão opta-se pelo sódio. Vale ressaltar que tanto o NA+ como o K+, são monovalentes e, possuem a mesma força em desagregar as argilas e aumentar o grau de dispersão com reflexos direto na compactação do solo, na diminuição da infiltração da água, aumentando assim a susceptibilidade à erosão, a falta de oxigênio na camada onde esse fenômeno ocorre e a redução na produção pela dificuldade das plantas em absorver nutrientes essenciais. Portanto, prenúncio do caos.Essa situação pode ser avaliada com análises das camadas de no máximo 5 cm para se determinar a Argila Dispersa em Água – ADA. Tirar proveito da adubação Verde de cobertura não é tão simples quanto se apresenta, a menos que o monitoramento da fertilidade do solo esteja sempre em evidência, como forma de maximização dessa prática da adubação verde.

 

  1. Aporte de Nitrogênio ao solo:Na questão da produção de N pela biomassa das leguminosas, é bastante discutível, uma vez que, tirando os efeitos deletérios comentados acima, nenhuma biomassa consegue suprir, por mineralização da palhada, a totalidade de N exigida pelas lavouras que demandam aplicação desse nutriente. Ex: no caso do milho, se todo o “N”, proveniente dessa fixação biológica, fosse assimilado pelas plantas, na melhores das hipóteses, isso representaria, no máximo, 15% do total que a cultura necessita. Além do mais, essa liberação ou mineralização do N do material orgânico sobre o solo se dá paulatinamente e, é dependente de condições ambientais, como por ex: temperatura do solo, água disponível, oxigênio, índice de acidez. Portanto, podemos dizer que o benefício em aportar N das plantas de cobertura como as leguminosas, deve ser encarado mais como um legado do que como um objetivo, pois sendo de ordem natural, não há controle de qualidade.

Dr. Roberto Antunes Fioretto

Eng. Agrônomo Dr. ROBERTO ANTUNES FIORETTO – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fertilidade de Solo e Nutrição de Plantas, atuando principalmente nos seguintes temas: calagem, bases trocáveis, equilíbrio químico, adubação e cátions básicos.

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