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Fosforo Calcario

Corneta do Agro: Os “mitos” e “verdades” sobre o fósforo e o cálcio

O artigo a abaixo foi publicado tempos atrás em diversos portais do agronegócio, nesta Corneta do Agro, o Dr. Roberto Fioretto esclarece alguns pontos do artigo.

“De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois da colheita recorde na safra 2016/17, o Brasil deve ter uma produção de soja 2,4% menor em 2018. Ainda assim, as áreas de plantio foram recordes, o que também não descarta uma boa produtividade.

O potencial produtivo da nova safra supera 114 milhões de toneladas colhidas em 2017, mas o clima ainda é um fator preponderante para tal feito. No Mato Grosso, um dos maiores estados produtores do Brasil, a colheita atingiu 12,3%, até 26 de janeiro, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No mesmo período do ano passado, o percentual era 16,2%.

Mas toda essa produtividade do “grão de ouro” da agricultura brasileira tem uma etapa produtiva decisiva para seu melhor desenvolvimento: a nutrição. Dentre os elementos necessários estão o fósforo e o cálcio, com origem predominantemente de rochas fosfáticas de origem vulcânica, em maior parte a fluorapatita.

Desde a extração nas minas até a absorção pelas plantas, ocorrem várias reações e transformações nas formas do fósforo. Com isso, têm surgido muitas dúvidas, especulações e mitos acerca das tecnologias empregadas nos fertilizantes nacionais. Os especialistas Agronômicos da Yara, Diego Guterres e João Maçãs esclarecem os três principais:

1. Na sua forma natural, nas rochas brasileiras, esses nutrientes estão indisponíveis às plantas
Verdade: Na condição natural da rocha, o fósforo está na forma de fosfato tricálcico, a qual as plantas não conseguem absorver (elas absorvem o P como dihidrogenofosfato – H2PO4-). Para aumentar a eficiência agronômica dos fosfatos, a indústria realiza o processo de acidulação, solubilizando a rocha fosfática moída com ácido sulfúrico (rota sulfúrica de acidulação), o que resulta em superfosfato simples e sulfato de cálcio. O superfosfato simples possui fósforo, cálcio e enxofre. Também pode-se atacar a rocha fosfática com ácido fosfórico, originando o superfosfato triplo (Lopes, A. S. et al., 2016).

“Esses dois produtos passam por diversos processos até serem granulados e utilizados puros ou em misturas com outras matérias-primas como fertilizantes na agricultura. A exemplo disso, existe a rota de acidulação nítrica, muito utilizada pela Yara na Europa na produção de nitrofosfatos, conhecidos mundialmente como YaraMila com altos teores de nitrogênio nítrico e amoniacal”, explica João Maçãs, especialista em Portifólio de Produtos da Yara.

2. Fertilizantes com fósforo e cálcio e se tornarem indisponíveis às plantas, criando uma deficiência desses nutrientes.
Mito: As formas de fósforo são influenciadas pelo pH da solução. Em solos ácidos, como a maioria dos solos tropicais brasileiros, o fósforo é fixado por ferro e alumínio. No outro extremo, em situações de pH acima de 7, o fósforo torna a sofrer um processo chamado “retrogradação”, no qual ele reage com cálcio (do fertilizante ou do solo) e retorna à condição de fosfato tricálcico, tornando-se indisponível às plantas.

Aqui, então, surge o mito de que em fertilizantes com P e Ca, esses elementos reagem e se tornam indisponíveis às plantas. Ora, em solos alcalinos (pH acima de 6,5), como os de clima temperado, essa reação pode acontecer. Mas não é a realidade dos solos brasileiros onde se cultiva soja.

“Além da acidez dos nossos solos, os fertilizantes fosfatados acidulados possuem reação ácida, inviabilizando a possibilidade dessa reação ocorrer. Ademais, se isso fosse fato, a eficiência agronômica dos superfosfatos seria muito baixa e essas fontes não seriam empregadas na agricultura”, esclarece Diego Guterres, especialista Agronômico da Yara.

3. Misturar corretivos de acidez no adubo pode indisponibilizar o fósforo e o cálcio para as plantas
Verdade: Sim, essa prática é uma maneira bem provável de indisponibilizar o P e o Ca nas plantas. Se o corretivo for altamente reativo e se for utilizado em dose excessiva, pode elevar o pH junto aos grânulos do fertilizante, levando à indisponibilização do P. No entanto, o recomendado pela pesquisa agronômica é trabalhar a correção da acidez do solo de forma plena através de calagem criteriosa. “

Confira a explicação do Dr. Roberto Fioretto sobre o tema!

1º Ponto

Os fosfatos acidulados favorecem a formação do orto-fosfato (H2PO4), deixando-os solúveis em água. Nem por isso, é melhor que o fosfatos naturais, é uma questão de posicionamento agronômico em função da cultura a ser implantada (anual ou perene) e as condições de disponibilidade do fósforo no solo.

Fosfatos Naturais, não são solúveis em água, mas são solúveis com o tempo após a acidificação da solução do solo. Sendo assim, essa matéria prima apresenta-se com alto poder residual de fosfato no solo, o que para culturas perenes é mais inteligente. Enquanto que os fosfatos acidulados solúveis são mais indicados  para culturas de ciclo curto, pois não há efeito residual no curto/longo prazo. Isso tudo, pensando, apenas, no P-solúvel na solução.

Na química do solo não se julga por “mitos” ou “verdades” o conhecimento é científico e estabelecido por meio de equações químicas já consagradas na prática.

Portanto, independente da cultura e pensando na fertilidade de fósforo dos solos, a mistura de ambas as fontes não seria um produto diferenciado e de alto valor agronômico ?

2º Ponto

As formas de fósforo no solo são influenciadas pelo pH da solução. Não é uma questão de ser “mito” ou “verdade”, pela simples razão de se acreditar numa palavra, mas o fato é que a equação abaixo, expressa o óbvio do conhecimento:

Em solos ácidos, como a maioria dos solos tropicais brasileiros, o fósforo (H2PO4) é “retido” por minerais oxídicos da fração argila e não fixado por Fe e Al. As rações do fósforo com os íons ferro e alumínio da solução, representam os fosfatos precipitados dessa solução ( P-Fe; P-Al ) e são os chamados “fósforo lábil”, porque retorna a ser solúvel em função das variações do pH na solução com o tempo.

A retrogradação da orto-fosfato ( H2PO4) só aconteça acima do pH > 10. Quando isso ocorre, a solubilidade do fósforo, na solução, fica imediatamente comprometida. Isso não é perda, pois essa nova situação química em que se encontra, ganha-se em residual. Tão logo a acidez predomine no local, há solubilização desse fosfato para as plantas. Portanto a disponibilidade do P-solúvel para as plantas, é um jogo de “Roleta Russa”.

Ao longo do ciclo de vida de uma planta, o ambiente radicular é alterado centenas de vezes na mudança do seu pH na rizosfera.

3º Ponto

As reações entre o P e o Ca no solo acontece naturalmente, independente da nossa vontade e do tipo de produto aplicado.

Dizer que misturar corretivos de acidez no adubo pode indisponibilizar o fósforo e o cálcio para as plantas é um MITO.

Independente do tipo de reatividade dos corretivos, estes são considerados, quimicamente insolúveis. Outro aspecto vital é que não há super calagem, a reação de dissolução do calcário, se reduz quando a acidez na solução diminui (pKcalcário = 9,0). Assim a mistura de um produto insolúvel com outro solúvel, a dissolução ocorre em tempos diferentes. Se houver possibilidade da formação de fosfato de Cálcio insolúvel, como: [Ca (H2PO4)2]; [Ca2(HPO4)2] e o [Ca3(PO4)2], assim que a acidificação da solução do solo tomar lugar, esses fosfatos precipitados retornam à solução. É uma questão de tempo. Aliás, esse retorno é mais favorável às plantas do que aquele que depende do aporte de P pelo solo.

Dr. Roberto Antunes Fioretto

Eng. Agrônomo Dr. ROBERTO ANTUNES FIORETTO – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fertilidade de Solo e Nutrição de Plantas, atuando principalmente nos seguintes temas: calagem, bases trocáveis, equilíbrio químico, adubação e cátions básicos.

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