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Estiagem

Falta de macro e micronutrientes prejudicam produção (e o excesso também!)

Nos últimos dias todos os grandes portais de notícias agrícolas veicularam um artigo chamado “Falta de suplementação nutricional com macro e micronutrientes prejudica produção”, o alerta é importante mas tem que se tomar alguns cuidados.

Veja o que diz a reportagem:

A reposição de nutrientes é essencial para a manutenção dos níveis de produtividade das culturas. Os nutrientes exportados através dos grãos ou de outras partes colhidas, e também os perdidos através de processos como lixiviação e escorrimento superficial devem ser repostos ao sistema de produção. A nutrição adequada das plantas é um fator que impacta diretamente na produtividade das culturas, e também em outros aspectos como, por exemplo, na capacidade defensiva das plantas contra o ataque de doenças e na capacidade de superação de estresses abióticos.

Para a suplementação de macro e micronutrientes nas lavouras, é fundamental a observação de diversos aspectos. O primeiro é a quantidade de nutrientes que o solo pode prover. Esta informação é fornecida pela análise de solo, que deve ser realizada regularmente. O segundo aspecto a ser levado em consideração é a cultura em questão e a expectativa de produtividade. De acordo com o coordenador em Nutrição de Plantas do Instituto Phytus e Doutor em Agronomia, Diego Dalla Favera, as culturas têm diferentes necessidades nutricionais, tanto em quantidade, quanto na proporção entre os nutrientes e a aplicação destes deve ainda ser realizada em solo com pH previamente corrigido e descompactado. “Caso isso não seja feito, a eficiência dos nutrientes aplicados pode reduzir drasticamente. Além da aplicação via solo, os nutrientes também podem ser aplicados via pulverização foliar”, explica o pesquisador. A aplicação foliar de nutrientes é importante como um complemento à adubação realizada via solo. Dalla Favera orienta ainda sobre a necessidade de se tomar cuidado com a qualidade dos produtos foliares. “Deve-se dar preferência a formulações que não reajam com os outros compostos presentes na calda de pulverização como, por exemplo, as formulações quelatizadas”, completa.

Os macros e micronutrientes são elementos químicos essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. As denominações “macro” e “micro” não se referem à importância do nutriente para a planta, mas sim à quantidade necessária. Dalla Favera comenta que os macronutrientes são os elementos requeridos em grandes quantidades pelas plantas, já os micronutrientes são requeridos em pequenas quantidades e esta alternância se deve às diferentes funções que cada um exerce. Os elementos classificados como macronutrientes são Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S). Já os micronutrientes são o Cobre (Cu), Zinco (Zn), Manganês (Mn), Boro (B), Ferro (Fe), Molibdênio (Mo), Cloro (Cl) e Níquel (Ni). Todos esses elementos são classificados como essenciais, pois na ausência deles as plantas não completam seu ciclo. Existem também elementos não essenciais, mas considerados como benéficos, pois auxiliam o desenvolvimento das plantas. São considerados elementos benéficos Sódio (Na), Silício (Si) e Cobalto (Co).

Nosso comentário:

Realmente o autor tem razão quando comenta sobre a necessidade da restituição de nutrientes ao solo.

Recomenda ainda que estes devem ser repostos verificando sua real necessidade através da análise dos solos. Até aí tudo bem. Apesar de ser extremamente difícil saber a real dose dos nutrientes a serem repostos pela análise dos solos.

Primeiro, no solo não se analisa nitrogênio, daí qual a dose a ser restituída se não há como medir. No caso do fósforo, idem, o teor de fósforo que é dado pela análise do solo é uma tentativa de se saber o teor real. Os extratores precisam ser levados em consideração. Sobra para análise de solos a determinação das bases. Nesse ponto a análise do solo é mais exata. As bases são cálcio, magnésio e potássio. Portanto, realizar a adubação apenas pela análise de solos é um pouco temerário. No caso de micronutrientes é ainda pior, pois os parâmetros de interpretação são um tanto vagos e confusos.

O Autor comenta que as culturas têm diferentes necessidades nutricionais, tanto em quantidade, quanto na proporção entre os nutrientes, ora se isto é verdade, que as necessidades são diferentes entre culturas então seria mais lógico que ao invés de se fazer apenas a análise de solos, seria mais interessante e prudente se realizar a análise das folhas.

Com a análise das folhas é possível saber a real necessidade das plantas. Pois a planta vai revelar a sua necessidade e não o solo.

No entanto, no presente artigo, o autor passa a recomendar a reposição foliar mas se esquece de recomendar antes a análise das folhas para saber se a planta realmente necessita da tal reposição. Se a planta estiver devidamente nutrida, vai se repor o que?

A aplicação de doses acima do ideal pode levar a excessos, principalmente no caso de micronutrientes provocando fitotoxicação.

Fica pior o molho que o peixe.

O artigo é muito interessante para chamar atenção para o problema, mas peca quando passa a recomendar sem diagnóstico.

Dr. José Carlos Vieira de Almeida

Eng. Agrônomo Dr. José Carlos Vieira de Almeida – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fisiologia Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: Manejo e controle de plantas daninhas e nutrição de plantas.

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