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O Preço Dos Commodities E A Diferença Entre Meninos E Homens

O preço dos commodities e a diferença entre meninos e homens

Em artigo para a Gazeta do Povo, Giovani Ferreira, aborda o fato da soja estar sendo comercializada no Paraná por R$ 55 e o milho por menos de R$ 10 no Mato Grosso, o que estaria tirando o sono produtor rural. O artigo lembra que seis meses atrás a soja atingiu pico acima de R$70/saca e o milho R$20/saca. Reflexo da recuperação norte-americana após a queda da safra de 2012, a safra de 2013 já havia alavancado as produtividades que podem chegar, nos EUA a mais de 350 milhões de toneladas de milho e mais de 100 milhões de toneladas de soja, sem contar as boas safras de Brasil, Argentina e Paraguai, o que irá repor com sobra os estoque domésticos e travar uma batalha no comércio internacional.

O artigo coloca que fica assim proposta uma nova ordem ao agronegócio globalizado: após mais de dez anos com preços em ascensão, a próxima safra (2014/2015) deverá exigir mais cuidado e atenção do produtor e do mercado. Se não ocorrer qualquer incidente climático, o avanço agora deverá ser mais sustentável, o crescimento deverá estar alinhado com os estoques e demandas mundiais, diminuindo o espaço para especulação, exigindo “mais planejamento e profissionalismo do setor, em especial do produtor, sobre o que e quando plantar, quando e como vender. Um tempo onde manejo e tecnologia, estratégica e informação serão como nunca condição à competitividade.”

Nosso comentário:

Segundo o articulista esta nova tendência tira o sono dos agricultores. Bem, finalmente os agricultores deverão começar a cair na real, conforme o ditado popular. Com preços de commodities aviltados qualquer um pode ser agricultor. Com preços de acordo com a realidade dos mercados começa-se a falar em sustentabilidade e crescimento sustentável.

Com os preços aviltados qualquer produto que prometia alguns milagres era aplicado nas plantas, pois a soja pagava qualquer coisa. Nunca se utilizou tanto fungicida sem necessidade como nos últimos anos de bonança. Uma série de produtos milagrosos foi usada na tentativa de aumento de produtividades, que na maior parte das vezes não veio. Mas como o preço era bom, qualquer porcaria valia, mesmo sem o resultado esperado.

Agora, finalmente come-se a falar em sustentabilidade. Agora vai se começar a diferenciar os meninos dos homens.

Para que a agricultura obtenha sustentabilidade é necessário seriedade e nada melhor para se impor a seriedade que os mercados regulados para impor o trabalho dos bons e excluir os curiosos.

Para se obter resultados sustentáveis deve-se avaliar os efeitos das práticas que se utilizam para se obter produtividades. Essas não podem ser obtidas a qualquer custo.

Precisa-se medir e aplicar técnicas agrícolas compatíveis com os processos de manejo sustentável. È necessário avaliação para se fazerem as coisas, como por exemplo, o manejo da ferrugem. È possível contar nos dedos de uma mão os produtores que fazem isto. A maioria aplica fungicidas ao bel prazer, na maior parte das vezes sem necessidade, mas sim porque o vizinho aplicou e ele não pode ficar atrás ou porque chegou o dia de aplicar e aplica, pois a soja paga a conta.

Este tipo de comportamento leva todo o sistema à mediocridade. Todos se comportam de forma medíocre.

Este evento de queda de preços deve colocar as coisas no devido lugar.

Dr. José Carlos Vieira de Almeida

Eng. Agrônomo Dr. José Carlos Vieira de Almeida – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fisiologia Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: Manejo e controle de plantas daninhas e nutrição de plantas.

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