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Microbacias Parana

Paraná retoma projeto de conservação de solos e águas em microbacias

A Secretaria de Agricultura do Paraná e o Instituto Emater serão responsáveis pela retomada e execução do programa de Manejo de Solos e Águas em Microbacias que na década de 1980 havia colocado o Paraná na vanguarda do desenvolvimento sustentável através das medidas de conservação implantadas no campo.

O projeto que tem um orçamento previsto de R$ 30 milhões ao longo de 4 anos irá atingir pelo menos uma microbacia por município e suas ações servirão de modelo para as demais 6.000 microbacias existentes no estado.

O objetivo é cobrir os 399 municípios do estado, e segundo Norberto Ortigara (secretário da agricultura e abastecimento) o programa irá resgatar as práticas consagradas de conservação de solos e águas abandonadas ao longo do tempo. “Esta situação preocupa o governo, por causa da deterioração do solo e perda de produtividade das nossas lavouras, pela ameaça de contaminação de mananciais e perda de qualidade da água usada no abastecimento de cidades e propriedades rurais”, afirmou.

As primeiras microbacias a terem seus convênios firmados estão nos municípios de Ampére, Anahy, Arapongas, Bom Sucesso do Sul, Capitão Leônidas Marques, Coronel Vivida, Iguatu, Iporã, Lindoeste, Marechal Cândido Rondon, Mariópolis, Realeza, Santa Izabel do Oeste, São Jorge do Patrocínio, Saudades do Iguaçu, Santa Tereza do Oeste, Umuarama e Vitorino.

Fonte: O Diário

Nosso comentário:

Isto tudo é lamentável para não dizer que é uma afronta ao bom senso.

Caros leitores, durante a década de 1980 quando o Eng. Agr. Dr. Osmar Dias era secretário estadual de agricultura, se empreendeu no Paraná o maior programa mundial de conservação de solos, principalmente na região oeste e sudoeste do estado. Se empregaram horas e horas de esforço e horas-máquina para se realizar o maior programa de conservação de microbacias que este país já teve.

Aliás, tudo financiado pelo Banco Mundial, com carência de 20 anos. O Dr. Osmar Dias, salvo engano, recebeu até prêmios internacionais pela ousadia do programa. Realmente um empreendimento de grande sucesso dado ao efeito em relação a conservação dos solos, que diga-se de passagem, na época não existia ainda a religião do plantio direto. Usava-se o tal “plantio convencional” e que os terraços eram a grande solução, logicamente respeitando-se a topografia e as microbacias. Portanto, já naquela época, rios de dinheiro foram investidos. O pior, com aquela carência, penso que ainda estamos pagando a conta.

Agora depois de quase trinta anos, vem o atual secretário de agricultura anunciar um novo programa de microbacias como se fosse a maior novidade. Parece uma revolução porque estão preocupados com a degradação dos solos. O que é pior. Na mesma região, o oeste e sudoeste do Paraná.

Quem vai pagar a conta desta vez?

Diz o secretário:”O Programa de Manejo de Solos e Água em Microbacias é parte de um programa do governo do Estado do Paraná, mais abrangente inclusive nas áreas de Saúde, Educação e Abastecimento de Água, que conta com US$ 350 milhões (aproximadamente R$ 775 milhões) de uma linha de crédito contratada pelo Estado junto ao Banco Mundial no final do ano passado. Na Agricultura, os recursos serão aplicados pela Secretaria da Agricultura e Emater com o objetivo de melhorar a produção agrícola nas microbacias, corrigir os problemas existentes e planejar melhor as ações de correção dentro de cada região.”

Pelo jeito, mais uma vez a sociedade do Paraná vai pagar a conta, pois já estão jogando a conta para as prefeituras e o Banco Mundial de novo. Logicamente quando se fala em prefeituras e Banco Mundial, a conta vem salgada para toda a sociedade.

Acontece que a Secretaria da Agricultura nos deve explicações de como tudo isto se deteriorou. O que diz o secretário? O que diz o Dr. Osmar Dias?

O que foi feito dos terraços? Porque tudo foi destruído? A conta da década de 1980 já foi paga?

Olhem o que diz o secretário agora.”O programa disponibiliza 23 tipos de ações diferentes, sendo 15 práticas individuais que devem ser feitas na propriedade e outras oito práticas de caráter coletivo que devem ser adotadas pela comunidade. Entre elas estão listados os terraceamentos, curva de nível nas propriedades, estradas rurais integradas com as lavouras para evitar perda erosão e perda de fertilidade em decorrência do escorrimento da água das chuvas, plantio direto com qualidade, proteção de fontes e outras.”

Caramba, para não dizer “Put……… iu.” Será feito terraceamento, curva de nível e outras técnicas. Pelo jeito estamos voltando para a década de oitenta.

O pior de tudo é o “ Plantio Direto com Qualidade”. Por quê? Existe plantio direto sem qualidade?Se existe foi feito na região sudoeste do Paraná.

Os adeptos do tal plantio direto não disseram que não era necessário o terraceamento, pois o plantio direto resolve tudo?

Resolve uma ova. Esta técnica foi responsável pela desgraça que agora se apresenta. Foi dito aos quatro ventos que não é necessário terraceamento pois o no plantio direto não há erosão. E agora secretário?

Todos os terraços foram destruídos. Não só no Paraná , mas pelo Brasil afora.

Agora se vai pra cima e se vai pra baixo. Da direita para esquerda. De trás pra frente. O plantio em nível que foi imposto a duras penas na época, sumiu do mapa. O plantio em nível agora é coisa do passado. É uma técnica “pré-glyphosate” Tanto faz, pois o plantio direto garante.

O pior de tudo é que os agrônomos também pensam assim.

O plantio direto que foi uma técnica imposta para se melhorar as condições de conservação de solos virou uma religião. E como toda religião passa-se a acreditar em alguns dogmas sem se discutir as reais consequências do seu uso. Um dos principais dogmas é que no plantio direto não há erosão e portanto, o terraço não é necessário, daí retiram-se todos, ampliam-se as áreas de plantio, melhora o tráfego de máquinas, pois não há terraços para atrapalhar.

E assim foi feito. Do Iapoque ao Chuí.

Esta aí o resultado. Erosão no plantio direto e agora a Secretaria da agricultura começou a se preocupar com o problema.

Depois da burrice, vamos fazer tudo de novo. Por azar o serviço não é gratuito. A sociedade toda vai pagar pela burrice da classe agronômica e pela vadiagem da classe produtora. Os agrônomos querem vender glyphosate e os agricultores querem fazer tudo do jeito mais fácil.

O resultado está aí. Degradação generalizada do solo.

Com a palavra o senhor secretário da agricultura para explicar para a sociedade paranaense porque vamos investir tudo de novo, se o plantio direto era a salvação?

Quem se responsabiliza? Os agrônomos ou os produtores?

Dr. José Carlos Vieira de Almeida

Eng. Agrônomo Dr. José Carlos Vieira de Almeida – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fisiologia Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: Manejo e controle de plantas daninhas e nutrição de plantas.

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