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Manejo Qualidade Trigo

Manejo nutricional e qualidade do trigo: relação existe mas é preciso diagnóstico!

O artigo abaixo foi publicado originalmente no Portal Agrolink. Leia com atenção e veja o comentário do Dr. Roberto Fioretto a seguir.

Manejo nutricional influencia a qualidade do trigo

“A situação do trigo no Mercosul como um todo tem sido semelhante, aguardando o andamento da safra para geração de maiores volumes de vendas. Além disso, a escassez de chuvas das últimas semanas também atrapalhou e atrasou o desenvolvimento das lavouras tardias. Recentemente, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) informou que o mercado nacional importou 656 mil toneladas de trigo, em agosto, o que equivale a um aumento de 13,8% em relação ao mesmo período do ano passado, principalmente o trigo de alta proteína para atender a demanda das farinhas especiais.

A qualidade industrial do trigo é determinada por vários atributos de classificação, destacando-se o teor de proteína, que deve ser acima de 12% para farinhas de alta qualidade. Este é o fator que interfere em outros, como a força de glúten e a absorção de água, por exemplo. Já peso do hectolitro (PH) tem grande importância na classificação comercial, uma vez que esse fator determina a qualidade e o rendimento da extração de farinha. Com isso, a nutrição da cultura desempenha um papel extremamente importante para garantir mais qualidade industrial do produto final.

As proteínas se acumulam nos grãos no final do ciclo da cultura e têm como importantes componentes o nitrogênio (N) e o enxofre (S). O teor proteico nos grãos é dependente do genótipo e de variáveis ambientais, principalmente a disponibilidade de nitrogênio. Aproximadamente 80% do teor de nitrogênio (ou proteína) dos grãos são originários de hastes e folhas, sendo absorvidos durante o período vegetativo e transferidos para os grãos durante a senescência. Os 20% restantes são acumulados após floração, por fornecimento adicional de nitrogênio, que pode ser absorvido do solo ou por aplicação foliar. Portanto, uma aplicação tardia no parcelamento da cobertura nitrogenada é positiva nesse sentido.

Dessa maneira, observamos maiores teores de proteína quando a aplicação de nitrogênio é feita no início do espigamento, ao invés da aplicação no final da elongação (folha bandeira expandida). O fornecimento de nitrogênio foliar também pode ser uma importante ferramenta para incremento de proteína nos grãos de trigo. Estudos do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA – Argentina), com dados da safra 2016, mostram que a aplicação de nitrogênio foliar, no início do espigamento, em 11 cultivares, revelam incrementos de 1,6% na produtividade (de 5,5 para 5,6 t/ha) e 6,7% no teor de nitrogênio nos grãos (de 10,3 para 11,3%). Essa prática de suplementação via foliar pode contribuir muito mais quando há períodos de menos disponibilidade de água no solo, condição que prejudica a absorção de nitrogênio.

A aplicação de enxofre em trigo, por sua vez, eleva consideravelmente o conteúdo de aminoácidos constituintes das principais proteínas do trigo inerentes à qualidade: cisteína (+24,5%), metionina (+35,3%), treonina (+14,4%) e lisina (+7,7%) (Järvan et al., 2008). Com o uso de fertilizante nitrogenado, que combina Nitrogênio nítrico e amoniacal, além de enxofre em sua composição foi comprovado o acréscimo de 5,4% no teor de proteína em grãos de trigo com o aumento de 30 e 18 kg/ha, respectivamente, de nitrogênio e enxofre e, 6,7% quando ainda se aplicaram esses dois nutrientes via foliar.

O PH é determinado pelo manejo nutricional e também pode influenciar a classificação comercial do trigo. Na média das lavouras demonstrativas avaliadas pelo Brasil, onde esse atributo foi medido, houve um incremento de 3,34% no PH (de 77,8 para 80,4). Dessa maneira, para aporte suplementar de potássio solúvel com qualidade no momento correto, um fertilizante 100% solúvel em água, na forma de cristais finos de alta pureza, fornece nitrogênio, potássio e enxofre mostra-se uma ferramenta eficaz, proporcionando maior enchimento de grãos e afetando positivamente no PH.

É possível diminuir o gargalo das importações e a nutrição do trigo, com certeza, será fator relevante. Para a produção de grãos de trigo de alta qualidade, podemos afirmar que os itens indispensáveis serão as variedades apropriadas, as fontes de nitrogênio e de enxofre de alta eficiência, com seus ajustes de doses, assim como o planejamento de uma aplicação tardia.

*Diego Guterres é Engenheiro Agrônomo e Especialista líder nas culturas de Trigo e Soja da Yara Brasil”

Nosso comentário:

Que horror! Em pleno século XXI, depararmos com tamanho “positivismo”.

Já passou da hora de empreendermos uma Agronomia de Diagnóstico e, matérias como esta, dão um tiro no pé da classe agronômica que como nós, estamos empreendendo e lutando contra esse positivismo do século passado.

O Engenheiro Agrônomo precisa entender que para se fechar um diagnóstico, exames são necessários para ajudar na tomada de decisão.

Hoje dominamos essa técnica da diagnose foliar que nos permite inferir sobre o estado nutricional de uma lavoura, bem como interferir no manejo do seus nutrientes, a fim de se alcançar a Alta Performance Produtiva.

Ninguém jamais conseguirá reproduzir, com as recomendações positivistas colocadas no escopo do artigo, os resultados obtidos na lavoura em questão.

Dr. Roberto Antunes Fioretto

Eng. Agrônomo Dr. ROBERTO ANTUNES FIORETTO – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fertilidade de Solo e Nutrição de Plantas, atuando principalmente nos seguintes temas: calagem, bases trocáveis, equilíbrio químico, adubação e cátions básicos.

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