Bastidores

Nos bastidores da produção agrícola

Ao se olhar para uma lavoura no campo, salta aos olhos a exuberância e a tonalidade da vegetação. A partir daí toma lugar o sentido da expectativa na “esperança” de boa safra.

Para os leigos, o caminho doravante é se apoiar nas previsões de chuvas que salvarão o investimento aportado, como forma de se recuperar a inversão de capital, caso contrário, o prejuízo será calculado pelas despesas operacionais na implantação da lavoura.

Mas, do ponto de vista financeiro, o que está em jogo, não é apenas o fator econômico da produção (Produção – Custo Operacional) e, sim, o valor da infra-estrutura disponível para se realizar essa atividade. Dessa forma, deve ser considerado o valor da terra e o estoque de nutrientes que ela contém, o qual tem que ser remunerado como dividendos do investimento feito.

Para efeito de cálculo, vamos estabelecer como premissa básica (todos os cálculos serão equivalentes à saca de soja/ha, no valor de R$ 75,00. Considerar-se-á, uma produtividade agrícola de 50,00 scs/ha).

  • Um solo que possua, na camada arável, uma fertilidade equivalente de 10 cmolc/dm3 de CTC (Capacidade de Troca de Cátions).
  • Imaginaremos uma construção química na faixa do ideal, ou seja, 60% de Cálcio; 20% de Magnésio e 5% de Potássio, totalizando uma saturação, em bases de V% = 85% e, em ácidos = 15%.
  • Para essa condição de solo, adotaremos um nível crítico para o Fósforo NiCriP = 12 mg/dm3.

Traduzindo esses níveis para teores, teremos:

Fósforo:

24 mg de P/dm3 de solo (VRP=200%). Isso equivale a 244 Kg de STP/ha ou 5 scs/ha.

Potássio:

0,20 g de K/dm3 de solo. Isso equivale a 783 Kg de KCl/ha ou 19 scs/ha.

Cálcio e Magnésio:

Dose estocada na camada arável equivalente a 9,0 ton./ha de Calcário Calcítico ou 18 scs/ha.

Obs. Consideramos apenas esses macronutrientes, por impactarem decisivamente a fertilidade da camada arável, superficial.

Valor da Terra:

Todo esse estoque de nutrientes estão nos primeiros 20 cm de profundidade na área de 1 ha.

Portanto o valor, de mercado, desse volume de solo corresponde a 467 scs /ha.

Despesa para Implantação da Lavoura:

Custo Operacional de 1 ha de Soja  27 scs/ha.

 

RESUMO:

Investimento necessário, em número de sacas por hectare, para se produzir soja em 1 ha.

Total536 sc/ha
Valor da terra467 sc/ha
Estoque de Nutrientes
Ca/Mg18 sc/ha
P5 sc/ha
K19 sc/ha
Custo Operacional de Plantio (soja)27 sc/ha

Portanto, para produzir 50 sacas de soja por hectare, são necessários investimentos patrimoniais da ordem de 536 sacas de soja por hectare. Isso estabelece uma relação comercial de 10 ha de investimento para cada hectare de produção.

Dessa forma, esse patrimônio merece e deve ser preservado para continuar produzindo e remunerando o capital investido. E os dois parâmetros essenciais para isso, ficam por conta da disponibilidade da ÁGUA e dos MACRO E MICRONUTRIENTES para as plantas. Daí a importância de um sistema de amostragem inteligente associado ao arranjo de preparo e manejo, fornecido por laboratórios altamente experientes e especializados na informação disponível.

Como tudo começa pela amostragem, surge aí, a primeira falha da atividade empresarial do agronegócio, que é a decisão pelo envio das amostras, que normalmente é tomada com base no preço do serviço, sem levar em conta a qualidade da informação e a tecnologia embarcada nos laboratórios disponíveis no Brasil. “É a verdadeira economia à base da porcaria”. E, porquê?

Então vejamos !

Se uma amostra de solo representar uma área homogênea de 20 ha, e o preço pago por essa análise (básica) for de R$ 50,00/amostra, isto representa um preço equivalente de R$ 2,50/ha. amostra, ou seja 0,033 scs / ha. amostra, o que dá 0,006 % do investimento total de 536 sacas por hectare.

ATENÇÃO : Se como empresário eu ignorar a relação Benefício/Custo e, somente, evidenciar o preço, poderia encontrar laboratórios com preços competitivos, de até 50% do valor do exemplo, assim estaria economizando 0, 016 scs/ha. amostra. Em 1.000 amostras isso representaria uma economia de R$ 1.200,00, para uma área total de 20.000 ha. Vale ressaltar que, com esse volume de amostras, até os laboratórios mais sofisticados apresentam descontos. Portanto, o preço é insignificante diante da importância da informação, dessa forma, quem busca preço, somente, são as merecidas vítimas.

Dr. Roberto Antunes Fioretto

Eng. Agrônomo Dr. ROBERTO ANTUNES FIORETTO – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fertilidade de Solo e Nutrição de Plantas, atuando principalmente nos seguintes temas: calagem, bases trocáveis, equilíbrio químico, adubação e cátions básicos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *