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Agricultura Familiar

Professor da ESALQ questiona dados da Agricultura familiar no Brasil

Rodolfo Hoffmann, professor sênior da ESALQ/USP, questiona afirmação das autoridades de que a “Agricultura familiar produz 70% dos alimentos consumidos no brasil”, ele aponta que diversos portais governamentais afirmam e reafirmam este número ao longo dos últimos anos, sem definir adequadamente o que é agricultura familiar, ou o que é o total dos alimentos.

A dúvida levantada por Hoffmann questiona o sentido dos “70% dos alimentos”: “Somam-se toneladas de soja com toneladas de uva e toneladas de açúcar? Toneladas de açúcar ou toneladas de cana-de-açúcar? Toneladas de trigo, de farinha de trigo ou de pão? Toneladas de soja ou de óleo de soja? Dada a grande heterogeneidade dos alimentos, é um absurdo somar as quantidades físicas.”

Quanto ao conceito de agricultura familiar, Hoffmann coloca que poderia ser a definição da Lei 11.326 de 24 de julho de 2006 (não detenha área maior do que 4 módulos fiscais, utilize predominantemente mão de obra da própria família, tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento e dirija este estabelecimento com sua família), neste caso, segundo dados do IBGE do Censo Agropecuário de 2006, “a agricultura familiar participou com 83,2% da produção de mandioca, 69,6% da produção de feijão (agregando todos os tipos), 33,1% da produção de arroz em casca e 14,0% da produção de soja.”

Para Hoffmann “Não é necessário criar “estatísticas” sem sentido para mostrar a importância da agricultura familiar no Brasil.”

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“Se, para o feijão considerarmos o agregado dos diversos tipos, entre os produtos considerados na Tabela 1 o único para o qual a contribuição da agricultura familiar ultrapassa 70% é a mandioca. Mas se trata de participação na produção total dessa lavoura, e não da contribuição para a alimentação dos brasileiros.”

Segundo Hoffmann, dados da pesquisa de orçamentos familiares permitem avaliar a contribuição dos diversos alimentos para a nutrição dos brasileiros, considerando-se assim, os alimentos constituídos essencialmente por mandioca (aipim, macaxeira, tapioca, farinha de mandioca, etc.) verifica-se que eles fornecem apenas 2,3% da energia total dos alimentos consumidos.

Ele ainda coloca que “Considerando os diversos tipos de arroz e as preparações à base de arroz, verifica-se que fornecem 12,9% da energia total dos alimentos consumidos. Essa porcentagem é igual a 11,2% para os diversos tipos de feijão e as preparações à base de feijão e é 9,0% considerando os diversos tipos de pão de sal, exclusive o pão de milho, mostrando a importância do trigo na alimentação do brasileiro.”

O objetivo de sua análise seria apenas mostrar que não há justificativa possível para o mito dos “70%”, principalmente considerando que a mandioca é muito importante na alimentação dos próprios agricultores familiares, que afirmam que apenas 48,9% da mandioca é vendida e que o restante seria consumida ou processada no próprio estabelecimento familiar.

Depois de discutir algumas questões econômicas como o valor gasto com alimentos pelas famílias Hoffmann termina seu artigo com a seguinte afirmação.

“Como neto de imigrantes alemães que criaram seus filhos no Brasil com base na agricultura familiar, nada mais distante das intenções de quem escreve do que reduzir a importância que o leitor atribui à agricultura familiar. Mas a afirmativa de que “A agricultura familiar produz 70% dos alimentos consumidos no Brasil” não tem base e, pior, não tem sentido. O reconhecimento da importância da agricultura familiar no Brasil não precisa de dados fictícios.”

Fonte: Famasul

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