Capim Marandu

Síndrome da morte do capim-marandu degrada pastagens no MT: o que fazer?

Esta machete foi notícia em diversos portais do agronegócio na última semana, veja o artigo na íntegra e depois o comentário do Dr. Roberto Fioretto.

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) constataram que a síndrome da morte do capim-marandu (SMB) é uma causa importante da degradação de pastagens do Mato Grosso. A pesquisa foi descrita na publicação   “Zoneamento do risco de ocorrência da síndrome da morte do capim-marandu do estado do Mato Grosso”, de autoria de Celso Vainer Manzatto, Sandro Eduardo Marschhausen Pereira (Embrapa Meio Ambiente) e Bruno Carneiro e Pedreira (Embrapa Agrossilvipastoril, Sinop MT). 

Os testes ocorreram em solos com uma boa drenagem, o que comprovou que a síndrome pode aumentar em solos que receberam grandes volumes de chuva ou com muita quantidade de água.  De acordo com os cientistas, a baixa tolerância do solo a grandes níveis de umidade vem causando deficiência de oxigênio nas plantas, resultando em alterações morfofisiológicas nas raízes, o que as tornam sensíveis a ataques de fungos patogênicos.  

Uma alternativa para combater a SMB pode ser a adoção de programas que buscam desenvolver um correto manejo das pastagens. “Estas práticas favorecem a manutenção ou aumento da infiltração do solo, bem como uma atividade microbiana diversa e concorrente com os fungos patogênicos causadores da SMB. Ou seja, a biomassa e a atividade microbiana são consideradas como as características mais sensíveis às alterações da qualidade do solo promovidas pelos sistemas de produção agropecuários”, dizem os autores do estudo. 

Contudo, eles afirmam que somente os esforços do produtor, embora fundamentais, não são suficientes para o combate da doença e para a revitalização das pastagens do Mato Grosso, alertando que é preciso uma adesão governamental e de empresas privadas na causa. “Há necessidade urgente de integração de esforços entre instituições governamentais, não governamentais e do setor privado ligadas à atividade pecuária, visando à definição e implementação de políticas e estratégias para evitar a degradação das pastagens decorrentes da ocorrência da SMB”, finalizam. 

Enquanto os pecuarista não se convencerem de que, para se produzir uma pastagem, todos os preceitos de manejo do solo envolvidos na construção e manutenção da fertilidade para as plantas de lavoura deve ser da mesma forma  para com as plantas de pastoreio, continuarão com a “pecha” das pastagens degradadas e insustentáveis. Assim, todo pasto é uma lavoura e, para se obter produções sustentáveis e saudáveis todos os chamados, “Fatores de Produção” têm que estarem disponíveis, tais como: i) Água; ii) Minerais e iii) Carbono – Fixação do CO2 na Fotossíntese.

A Disponibilidade da água e dos minerais (P; K; Ca; Mg; S; B; Cu; Fe; Mn; Mo; Ni; Zn) estão intimamente ligadas à fertilidade do solo. Quando se fala em fertilidade, nunca deve-se esquecer, que os parâmetros Físico & Químico do solo, são os responsáveis pela qualidade e produtividade dos mesmos. Uma vez atendidos esse quesitos, o ambiente de desenvolvimento das raízes está preparado para atender as demandas da parte aérea para a realização da fotossíntese com captação regular do carbono atmosférico e, assim favorecer o ganho de peso e o aumento da matéria seca, tanto das pastagens quanto dos animais que se alimentam delas. Para tanto, analisar o solo é a única forma de tonar o invisível, visível, para se tomar  decisões sustentáveis e econômicas.

Vale ressaltar que todo manejo da fertilidade tem prazo de validade, assim nova reforma da área deve acontecer, toda vez que houver a necessidade de remineralização do solo. Portanto, para se acabar com o adjetivo “pastagem degradada” no setor da pecuária, a renovação da área deve ocorrer em intervalos ditados pela fertilidade dos solos. Agronomicamente, fica difícil entender e aceitar, a ideia de pasto perene.

Dr. Roberto Antunes Fioretto

Eng. Agrônomo Dr. ROBERTO ANTUNES FIORETTO – Doutor em Agronomia. Ex-docente na Universidade Estadual de Londrina e sócio da Laborsolo Laboratórios, especialista em Fertilidade de Solo e Nutrição de Plantas, atuando principalmente nos seguintes temas: calagem, bases trocáveis, equilíbrio químico, adubação e cátions básicos.

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