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Mito Calcario2

Pesquisa da UFMT sobre uso do calcário faz ruir mito da infertilidade do solo

Série de Artigos: Desmistificando o uso do calcário

Iniciada em 2014 e liderada pelo professor Dr. Anderson Lange, o estudo desenvolvido em Sinop, após 3 safras com aplicação de altas doses de calcário no campo tiveram como resultado pés de soja com mais vagens, mais ramos, redução no nível de abortamento das plantas, com o chamado “efeito cimento” ampliado, que significa vagens mais “pregadas” à planta, mais firmes. No milharal, espigas robustas e alta produtividade de grãos.

O professor e pesquisador explica que a aplicação convencional adotada por produtores em Mato Grosso é de 2 a 2,5 toneladas de calcário por hectare cultivado, em superfície. Mas a prescrição agronômica ideal beira as 5 toneladas de calcário ou mais, buscando elevar a saturação por bases do solo a 75%. Foi justamente essa a dose aplicada no experimento na zona rural de Sinop.

Essa ‘receita consagrada na soja e no milho’ é do Sul e Sudeste do país, mas não estaria adequada ao solo e as plantas da região do cerrado, que tem solos ácidos, chuvas concentradas em poucos meses e as usuais duas safras por ano.

DR. Anderson Lange da UFMT de Sinop

DR. Anderson Lange da UFMT de Sinop

“Os Boletins de Recomendação até hoje recomendam que se eleve o V% para 50 ou 60, e que não se aplique mais que 2 a 2,5 toneladas de calcário por hectare em superfície. Há um paradigma, um medo, algo cultural entre os produtores que vieram do Sul e Sudeste do país, de que um suposto excesso de calcário em superfície provoque danos ao solo e consequentemente às plantas, um temor de que prejudique a fertilidade do solo. Pelos resultados obtidos, isso aparentemente é um mito, que estamos procurando superar de forma científica, comprovadamente. A falta de calcário, aliás, é muito mais nociva à produtividade das lavouras”, alerta Anderson Lange.

Este assunto, aliás, é tema de discussão aqui no Labor News desde 2013! Quando tratamos da importância da aplicação de calcário para ampliar a produtividade, como o lucro aumenta quando o solo está corrigido e bem nutrido e como a acidez reduz a eficiência dos demais adubos utilizados, permitindo que apenas 27% desses adubos sejam de fato utilizados pela planta, neste artigo que traz dados de uma outra pesquisa de 2016.

O projeto de pesquisa da UFMT partiu de apontamentos de que a chamada fórmula do V% (Saturação por Bases) adotada em outras regiões do país, em especial no Sudeste, recomenda quantidade insuficiente de calcário e que os valores determinados por esta fórmula não chegam a se confirmar no solo. “Na análise do solo confirmamos que realmente não é suficiente como se projetava. O que era um apontamento, uma indagação, passou-se a uma comprovação científica. A ampliação do uso do calcário é, portanto, essencial para mais produtividade nas lavouras de soja e milho de Mato Grosso”.

Outra constatação é a de que o tipo de calcário também é determinante a um maior rendimento final nos talhões. O pesquisador explica que em Mato Grosso o calcário dolomítico foi e é largamente utilizado, porém, é o calcário calcítico quem contém porcentagens de cálcio e magnésio e a relação entre esses dois elementos químicos mais adequada ao solo – e por isso mais benéfica -, trazendo melhores resultados ao tipo de solo mato-grossense. “Por isso é indispensável a análise de solo como suporte ao agricultor”, reforça o pesquisador doutor.

A escolha do corretivo de acidez mais adequada também já foi abordado por aqui em 2013, num artigo que trata justamente dos cuidados na hora da compra do calcário.

Mas como fica o custo x benefício?

Dobrar a aplicação de calcário não seria colocar o custo de produção em xeque? O pesquisador é taxativo. “Não é. Muito pelo contrário. Dobrar a aplicação de uso do calcário e utilizar o tipo de calcário mais adequado ao nosso solo fará sobrar dinheiro no bolso do produtor que faz o seu cultivo corretamente, tendo mais produtividade e, consequentemente, mais produção e renda. O aumento na produtividade da área com mais calcário aplicado vai justamente pagar essa diferença do investimento em mais calcário e ainda sobra. A estimativa é que o ganho é de 5 a 10 sacas extras por hectare de soja e até 20 sacas de milho”, declara Lange.

Não perca nosso próximo artigo! Na quinta-feira iremos abordar como os resultados desta pesquisa corroboram o que nossos clientes já vivenciam na prática na região do Cerrado!

Via Portal Mato Grosso

Laborsolo Laboratórios

A Laborsolo Laboratórios atua a quase 30 anos com Análises Agronômicas. Nosso portfólio é amplo (solo, folha, alimento animal, água, fertilizantes e corretivos) e estamos focado no desenvolvimento de tecnologias que auxiliem no dia a dia do Agronegócio.

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